- Em dois deslocamentos de gerações, cerca de $5.4tn devem passar entre famílias na Austrália, com maior parte vindos de imóveis, superannuation e investimentos.
- Economistas alertam que essa grande transferência de riqueza pode reduzir mobilidade social, aumentar a desigualdade e abalar a confiança no “fair go” e na democracia.
- A riqueza atual está concentrada, com a maior parte em imóveis; metade dos presentes recebidos em presentes em dinheiro vale $1.000 ou menos, enquanto o quintil mais rico recebe valores bem maiores.
- A posse de casa tende a depender mais de heranças, criando obstáculos para a entrada de jovens no mercado imobiliário, e fortalecendo vantagens de gerações anteriores.
- Especialistas destacam que o aumento da desigualdade pode afetar a coesão social e a confiança na governança, com risco de ganhos políticos de grupos insatisfeitos.
O tema central é a transferência intergeracional de ativos no valor estimado de 5,4 trilhões de dólares australianos nos próximos 20 anos. Economistas afirmam que esse movimento pode afetar mobilidade social, igualdade econômica e a percepção de justiça no país, além de colocar sob pressão a coesão social.
Segundo especialistas, a maior parte dessa riqueza virá de heranças, mas transfers entre vivos, como presentes de família, também ganham peso. A concentração de capital em imóveis eleva a desigualdade, pois quem recebe imóveis de alto valor tem vantagens claras na hora de entrar no mercado imobiliário.
Esferas públicas destacam que a Austrália hoje possui uma das maiores médias de riqueza global e quase 2 milhões de pessoas são consideradas milionárias em termos nominais. A maioria da riqueza pessoal ainda está ligada a imóveis, o que amplia impactos de heranças futuras.
“Importa se você tem um pai com uma casa cara”, diz um ex-vice-governador do Banco da Austrália. O argumento é que quem aluga ou tem familiar com imóveis caros tende a acumular mais riqueza, enquanto quem não tem esse ativo pode ficar de fora desse fluxo.
A projeção de especialistas aponta que a distribuição desigual de heranças tende a se intensificar com o envelhecimento da geração baby boomer. Dados indicam que, sob esse cenário, a mobilidade econômica pode ficar mais restrita para as camadas de renda média.
Pesquisas recentes indicam que, hoje, o 10% mais rico entre os menos de 35 anos já concentra quase metade da riqueza desse grupo, sinalizando uma concentração que persiste entre gerações e pode reduzir a participação de jovens na posse de imóveis.
O que preocupa é o efeito sobre o “consenso social” e a confiança institucional. Economistas destacam que desigualdade elevada pode corroer a coesão social e, em cenários extremos, corroer a confiança na democracia.
Apesar das projeções, há ressalvas de que ainda há espaço para políticas públicas atuarem. Especialistas ressaltam a importância de manter a crença no “fair go” e de incentivar educação, mobilidade e acesso a oportunidades para conter a escalada de desigualdade.
Para o público, a leitura aponta que as mudanças demoram a se consolidar, mas já mostram sinais de transformar padrões de riqueza e de aquisição de moradia. O debate público gira em torno de como manter oportunidades iguais diante de grandes transferências de riqueza.
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