- Pequena imprensa revela plano da China de fechar cerca de vinte acordos de livre comércio, visando reduzir o peso da pressão norte-americana sobre a economia de 19 trilhões de dólares.
- A estratégia envolve acelerar conversas com blocos como União Europeia, Estados do Golfo e CPTPP, buscando integrar a cadeia industrial chinesa à global.
- O acordo com o Canadá, para reduzir tarifas sobre veículos elétricos chineses, é visto como exemplo inicial de reversão da influência dos EUA.
- Diplomatas chineses promovem a ideia de multilateralismo e aberto comércio, enquanto o governo atua para aprofundar a participação em blocos comerciais e padrões globais.
- Especialistas alertam para desequilíbrios comerciais da China e questionam se aperfeiçoar o acesso ao mercado externo pode compensar a demanda doméstica fraca, possibilitando maior influência global a longo prazo.
China avança para moldar o comércio global mesmo após as medidas de Trump, buscando cerca de 20 acordos comerciais. Pequim vê uma oportunidade de reduzir a pressão dos EUA sobre sua economia de 19 trilhões de dólares.
Um levantamento da Reuters mostrou que, desde 2017, assessores chineses defendem reconfigurar políticas para contornar restrições americanas. A estratégia já ganhou impulso com uma parceria com o Canadá que reduziu tarifas a veículos elétricos chineses.
Beijing tem promovido uma ofensiva diplomática para integrar a maior base industrial do mundo a blocos econômicos, como UE, países do Golfo e o CPTPP. Diplomatas e autoridades chinesas relatam avanços em negociações bilaterais e regionais.
Em janeiro, a China enviou seu principal diplomata a Lesoto para fortalecer cooperação e anunciou, no fim de semana, tarifas zero para importações de 53 países africanos. Ao mesmo tempo, a meta é despachar sistemas aduaneiros baseados em IA.
AÇÃO ESTRUTURAL
A meta, segundo documentos da Academia Chinesa de Ciências Sociais e da Universidade de Pequim, é tornar a China central em uma nova ordem multilateral moldada pelo país, reduzindo a dependência de Washington.
Pares ocidentais ouvidos pela Reuters destacam que o momento favorece Pequim para liderar uma pauta de comércio e multilateralismo, ainda que existam cautelas sobre excesso de acessos aos mercados.
O governo chinês não comentou o plano. Já um funcionário americano afirmou que é natural que países com superávits busquem manter a globalização, diante de mudanças na estratégia dos EUA.
Parcerias e tensões
O impulso chinês inclui avançar negociações com Honduras, Panamá, Peru, Coreia do Sul e Suíça desde 2017, além de explorar ligações com a UE e o GCC. O ministro Wang Wentao tornou a adesão ao CPTPP prioridade.
Críticos destacam que o superávit comercial da China pode pressionar setores manufatureiros de parceiros, enquanto a demanda interna permanece fraca. Ainda há dúvidas sobre a eficácia prática dessas ações.
Perspectivas e riscos
Especialistas afirmam que Pequim tenta superar a contenção ocidental por meio de padrões globais, propriedade intelectual e participação no RCEP. A estratégia inclui um centro logístico com portos-família e soluções de IA para acelerar operações.
Alguns analistas, porém, alertam que mudanças profundas na balança de comércio podem exigir paciência e ajustes domésticos, com possíveis impactos para aliados europeus e latino-americanos.
Observações finais
Diversos representantes de governos europeus e asiáticos foram questionados sobre a viabilidade de acordos com a China, com respostas distintas, variando entre ceticismo e abertura. O tema permanece em evolução e sujeita a mudanças políticas.
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