- Em ofício interno, os Correios afirmam que o programa Remessa Conforme expôs problemas econômico-financeiros e a falta de reposicionamento negocial da empresa.
- O transporte de encomendas internacionais despencou quase 110 milhões de objetos nos primeiros nove meses de 2025, ante o mesmo período de 2024.
- No terceiro trimestre de 2025, as receitas totais ficaram em R$ 12,3 bilhões, 12,7% a menos que no mesmo período de 2024; as receitas com encomendas internacionais caíram de R$ 3,2 bilhões para R$ 1,1 bilhão no mesmo intervalo.
- A participação das encomendas internacionais na receita caiu de quase 25% para 8,8%, impactada pela difusão de marketplaces internacionais.
- O documento indica um ciclo vicioso de prejuízos, com perda de clientes-chave e queda de fluxo de caixa; até setembro, a empresa deixou de pagar R$ 3,7 bilhões a fornecedores, empregados e tributos.
A empresa brasileira de Correios, Telégrafos e Serviços Postais, aponta prejuízos consecutivos nos últimos trimestres. O motivo principal é a queda de receitas e o aumento de despesas gerais, segundo documento interno da Diretoria Econômico-Financeira.
O relatório cita o programa Remessa Conforme como gatilho para revelar problemas econômico-financeiros. A then-diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo afirma que houve queda na participação de mercado em encomendas internacionais, antes quase um monopólio dos Correios.
O programa, criado pelo governo federal, impõe imposto de importação de 20% para compras internacionais até US$ 50, o que alterou a dinâmica de distribuição. A medida abriu espaço para transportadoras privadas atuarem no frete interno.
Receitas relacionadas a postagens internacionais recuaram fortemente. O estudo interno aponta frustração de receita de cerca de R$ 2,2 bilhões com a adoção do Remessa Conforme. No terceiro trimestre de 2025, as receitas consolidaram queda de 12,7% ante o mesmo período de 2024.
No período de nove meses de 2025, as encomendas internacionais passaram de 3,2 bilhões para 1,1 bilhão de reais em receita, reduzindo drasticamente o peso desse segmento no faturamento.
Redução da atividade internacional
Relatório dos Correios aponta que o transporte de encomendas internacionais despencou quase 110 milhões de objetos entre os nove primeiros meses de 2025 e o mesmo período de 2024. Ao longo de 2024, foram 149 milhões de pacotes até setembro; em 2025, 41 milhões.
A disseminação de marketplaces internacionais é citada como parte da causa da retração. Em julho de 2024, houve pico de 21 milhões de pacotes, com receita de 449 milhões; em setembro de 2024, 3 milhões de encomendas geraram 87 milhões. O recorte de 2025 indica menor volume e menor faturamento.
A diretora Loiane descreve um ciclo vicioso de prejuízos. A perda de clientes, associada a baixa qualidade operacional, compromete a geração de caixa necessária para regularizar obrigações da empresa. Negociações com grandes clientes tornaram-se mais sensíveis, segundo o documento.
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