- A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou grande parte dos aranceles “recíprocos” propostos por Donald Trump, o que representa uma vitória a meio para o México.
- Trump respondeu com a imposição de um arancel global de 10% sob a seção 122, aumentando a pressão sobre a economia mexicana.
- O México paga atualmente 25% em aranceles, sob a Lei de Poderes de Emergência de 1977 (IEEPA), mas esses tarifas não se aplicam a itens cobertos pelo TMEC; ainda há incerteza sobre descontos sob o TMEC.
- Mais de oitenta por cento das exportações mexicanas já entravam nos Estados Unidos livres de arancel, graças ao TMEC, o que reduzia a vantagem relativa de outros países.
- Mesmo com a decisão, países continuam sob tarifas setoriais, como cobre, automóveis, alumínio, aço, semicondutores, entre outros, e o cenário de relações comerciais permanece incerto.
O Supremo dos Estados Unidos derrubou grande parte dos aranceles recíprocos promovidos por Donald Trump, abrindo espaço para uma resposta com tarifas globais. O anúncio impacta México, maior parceiro comercial dos EUA, e aumenta a incerteza econômica regional. A decisão ocorre pouco antes de eleições no país.
Com a decisão, Trump já prometeu aplicar um arancel global de 10% sob a seção 122 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo rápido de imposição de barreiras a importações. A medida mira equilibrar o que o governo vê como desequilíbrios comerciais.
Para o México, a situação é duvidosa. A economia mexicana depende fortemente do mercado americano, respondendo por mais de 80% de suas exportações, cerca de 534,8 bilhões de dólares. As tarifas globais podem reduzir a vantagem competitiva frente a outras nações.
A situação atual do México
Hoje, o país paga 25% de tarifa em certas importações sob a Lei de Potências de Emergência de 1977, mas esse encargo não vale para itens que entrem via TMEC. A maior parte das exportações já ocorria sem tarifa, segundo dados oficiais.
A eliminação das tarifas para muitos países reduz a vantagem mexicana. Além disso, continuam vigentes aranceles setoriais que atingem cobre, automóveis, autopeças, aço, alumínio, madeira e semicondutores, entre outros.
Reações e possíveis desdobramentos
Analistas destacam que o recuo dos aranceles recíprocos pode pressionar a posição mexicana na relação comercial com os EUA. A depender de novas decisões, o país pode enfrentar tarifas adicionais sob outras bases legais.
Especialistas apontam que Trump ainda tem opções legais para impor tarifas, fora dos aranceles recíprocos. Leis como a de Comércio de 1974 e a legislação de 1962 podem ser utilizadas para novas medidas.
Fontes do setor industrial observam que o veredito da Suprema Corte pode reacender pressões sobre a relação México-EUA. O setor alerta que a remoção parcial de tarifas pode desincentivar a atração de investimentos à indústria mexicana.
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