- Mubadala Capital passou a adotar uma postura mais agressiva em fusões e aquisições, buscando transações complexas que costumam ser evitadas por grandes private equity.
- O grupo concordou em comprar a Clear Channel por avaliação de US$ 6,2 bilhões, com aporte de US$ 3 bilhões em novo capital próprio.
- O diretor de investimentos (CIO) Oscar Fahlgren afirmou que a gestora continuará buscando esse tipo de operação para gerar alfa para os investidores.
- A aquisição ilustra o diferencial da Mubadala Capital em relação à controladora institucional de Abu Dhabi e à Abu Dhabi Investment Authority, que costumam atuar como investidores minoritários.
- A Mubadala Capital administra mais de US$ 430 bilhões em ativos e tem participação relevante no Brasil em empresas como Zamp, Acelen e Atvos, além de atuação na Clariens Educação.
O Mubadala Capital anunciou uma postura mais agressiva em fusões e aquisições, mirando transações complexas que grandes private equities costumam evitar. Nesta semana, o braço de gestão de ativos alternativos do Mubadala Investment concordou em adquirir a empresa americana de mídia out-of-home Clear Channel e aportará US$ 3 bilhões em capital próprio no negócio. A operação avalia a Clear Channel em US$ 6,2 bilhões, já incluindo dívidas.
Para Oscar Fahlgren, diretor de investimentos (CIO) do Mubadala Capital, esse tipo de operação representa o perfil que a gestora pretende seguir. A estratégia é buscar grandes negócios desafiadores para gerar alfa e valor de longo prazo, disse à Bloomberg News. A gestão ressalta que continuará avaliando situações semelhantes.
A aquisição envolve uma empresa com portfólio atrativo, mas com endividamento superior a US$ 5 bilhões, conforme dados compilados pela Bloomberg. O Mubadala Capital pretende demonstrar um estilo de atuação distinto de seus pares, como a controladora e a Abu Dhabi Investment Authority, que administra cerca de US$ 1 trilhão.
O Mubadala Capital já investiu em negócios grandes recentemente. Em 2024, a gestora adquiriu a CI Financial, um movimento relevante no setor financeiro, poucos meses após a compra do Fortress Investment Group. Fahlgren afirmou que a complexidade dessas transações não deve ser vista como entrave, e sim como oportunidade de longo prazo.
O fundo gerencia mais de US$ 430 bilhões em ativos e tem como principal liderança Hani Barhoush, ex-banqueiro do Merrill Lynch. A equipe soma mais de 200 profissionais com atuação em Abu Dhabi, Nova York, Londres, São Francisco e Rio de Janeiro.
No Brasil, o Mubadala Capital detém participação majoritária na Zamp, operadora de redes de fast-food, controla a Acelen, que administra a Refinaria de Mataripe na Bahia, e tem participação relevante na Atvos, de açúcar e etanol. A empresa também lidera a Clariens Educação, que opera faculdades de medicina.
Fundada em 2011, a instituição integra o conjunto de entidades de Abu Dhabi que soma ativos próximos a US$ 2 trilhões. Recentemente, a L’imad Holding Co. incorporou o fundo ADQ, e a International Holding Co. criou uma holding de serviços financeiros com ativos de cerca de US$ 237 bilhões.
Ao longo dos anos, o Mubadala Capital se diferenciou de outras entidades de Abu Dhabi ao abrir capital para investidores institucionais globais e vender participações minoritárias em estruturas próprias a externos, em situações inéditas entre fundos soberanos. A recente operação com a Clear Channel é associada a esse posicionamento.
O acordo com a Clear Channel envolve investimento conjunto com a TWG, firma liderada por Mark Walter e Thomas Tull, parceiros da Mubadala na transação. A parceria reforça a estratégia de atuar em oportunidades menos exploradas por outros players de buyout.
Operação com Clear Channel
O anúncio destaca que a aquisição busca explorar a complexidade da transação para criar valor sustentável. O Mubadala Capital pretende manter o foco em ativos que ofereçam potencial de crescimento e reestruturação financeira para entregar retorno aos investidores.
Presença global e atuação no Brasil
A atuação internacional da gestora inclui escritórios em várias cidades e uma carteira de investimentos que abrange setores como mídia, energia e educação. A equipe brasileira acompanha o desempenho de ativos locais, mantendo participação relevante em projetos estratégicos para o grupo.
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