- O Ministério da Agricultura suspendeu imediatamente a importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim por risco fitossanitário.
- A decisão considera o alto fluxo de grãos entre países vizinhos, que pode levar à mistura de amêndoas nas cargas destinadas ao Brasil.
- Em 2025, o Brasil importou 112,85 mil toneladas de cacau e derivados, sendo 41,6 mil da Costa do Marfim.
- A suspensão permanece até a Costa do Marfim se manifestar e apresentar garantias de rastreabilidade para evitar triangulação de amêndoas de países não autorizados.
- A moagem brasileira de cacau em 2025 foi de 195.882 toneladas, queda de 14,6% em relação a 2024; entidades como AIPC acompanham o tema após análise técnica realizada entre 1 e 14 de fevereiro.
O Ministério da Agricultura suspendeu de forma imediata e temporária a importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim, alegando risco fitossanitário. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira e envolve medidas de prevenção diante da possibilidade de mistura de amêndoas nas cargas destinadas ao Brasil.
A publicação aponta que o risco decorre do elevado fluxo de grãos de países vizinhos que abastecem a Costa do Marfim, o que poderia comprometer a rastreabilidade das amêndoas utilizadas no Brasil. A Costa do Marfim é o maior produtor mundial de cacau, o que amplifica a preocupação com controles sanitários.
O Brasil importou 112,85 mil toneladas de cacau e seus derivados em 2025, sendo 41,6 mil toneladas provenientes da Costa do Marfim, conforme dados do Ministério da Agricultura. O ministério determinou que as secretarias de Comércio e Relações Internacionais e de Defesa Agropecuária adotem procedimentos para apurar a possível triangulação de amêndoas marfinhas.
Reação do setor e próximos passos
A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (Aipc) afirmou ter acompanhado com preocupação a suspensão. Empresas associadas, como Cargill, Barry Callebaut e Ofi, aguardam esclarecimentos sobre rastreabilidade e controles para evitar importações de amêndoas de origem não autorizada.
A moagem de cacau no Brasil registrou 195.882 toneladas em 2025, indicativo de queda de 14,6% frente a 2024, em razão de custos mais elevados com a matéria-prima, segundo a Aipc. O governo mantém a suspensão até manifestação formal da Costa do Marfim e apresentação de garantias sobre a origem dos envios.
A Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb) informou que a decisão resulta de uma nova análise de risco fitossanitário realizada pela missão técnica brasileira no país africano entre 1º e 14 de fevereiro. O relatório completo deve ser divulgado ainda nesta semana.
Participaram da discussão a Faeb e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que, em reunião com o Ministério da Agricultura em novembro, apresentaram preocupações sobre sanidade vegetal e solicitaram revisão da Análise de Risco de Pragas (ARP). Segundo Humberto Miranda, presidente do Sistema Faeb/Senar, a decisão reflete o funcionamento dos protocolos de defesa agropecuária com embasamento técnico.
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