- A crise global da moradia torna mais difícil comprar imóvel e o aluguel sobe, segundo Gustavo Favaron, CEO do GRI Institute; exceção seria a China, onde cerca de 90% das pessoas têm casa própria.
- Os custos (terreno, mão de obra e materiais) subiram de forma contínua, a inflação é estrutural e a renda não acompanha, ampliando o desfio entre desejo de compra e capacidade financeira.
- A demanda por aluguel aumenta conforme as pessoas formam novas famílias, mas a oferta não acompanha, elevando os aluguéis bem acima da inflação e até do preço dos imóveis.
- O estoque disponível é antigo, mal localizado ou inadequado para aluguel, faltando imóveis desenvolvidos especificamente para locação.
- O viés é estrutural e leva as incorporadoras a adotarem modelos voltados para aluguel, como o multifamily, tendência que pode ganhar força no Brasil; quem puder comprar, deve fazê-lo, já que não há perspectiva de queda estrutural de preços.
O mercado imobiliário mundial enfrenta custos elevados, juros altos e renda pressionada, o que dificulta a compra e acirra o aluguel. A leitura é de Gustavo Favaron, CEO do GRI Institute, think tank com sede em Londres que reúne incorporadoras, fundos e investidores institucionais. Ele aponta uma tendência estrutural que se observa em várias regiões.
Favaron participa de discussões com executivos de mercados globalmente conectados e cita encontros recentes, como o GRI Chairmen’s Retreat 2026 na Suíça, onde participaram grandes fundos soberanos e grupos de investimento. A leitura é de que a dificuldade de acessar moradia não é episódica, mas disseminada.
Cenário global da moradia
Para o executivo, o padrão é claro ao analisar preço por preço e país por país: ficou mais difícil comprar em quase todos os lugares, e o aluguel tem subido de forma significativa. O caso da China é citado como exceção, com alta proporção de imóveis ocupados por seus moradores.
Os custos de terreno, mão de obra e materiais avançaram de forma contínua, enquanto a renda não acompanhou esse ritmo. Juros elevados elevam o peso do financiamento, e mudanças tributárias podem ser repassadas ao comprador, ampliando o gap entre desejo e capacidade de compra.
Efeito sobre aluguel e estoque
A vida segue, com casamentos, filhos e mudanças de cidade. Se a compra não é viável, a demanda migra para o aluguel, que não encontra oferta suficiente. Lançamentos de aluguel sobem, muitas vezes acima da inflação, enquanto o estoque existente é antigo ou mal localizado.
A falta de imóveis desenvolvidos para locação agrava a pressão. Em mercados como Londres e Nova York, o custo de aluguel acompanha o aumento da demanda, sem que haja absorção adequada pelo estoque disponível.
Perspectivas para o Brasil
Favaron aponta que o movimento deve ganhar força no Brasil, com o desenvolvimento de imóveis voltados para locação, o chamado modelo multifamily. Essa estratégia envolve construir para alugar e gerir grandes carteiras de unidades, com possível venda futura a fundos.
Para quem precisa decidir entre comprar ou alugar, a orientação é manter o foco na capacidade de compra. A visão é de que não haverá queda estrutural nos preços, apenas ajustes pontuais em áreas específicas. A demanda por aluguel tende a continuar elevada.
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