- A AXIA Energia registrou lucro líquido de R$ 13,9 bilhões no quarto trimestre, salto de mais de 1.000% em relação ao mesmo período de 2024, após revisão de lucros tributáveis futuros.
- O lucro ajustado foi de R$ 1,25 bilhão no trimestre, 141% acima do 4t de 2024; o EBITDA regulatório ajustado ficou em R$ 5,7 bilhões, alta de 13% na comparação anual, com divergências entre analistas sobre o nível exato.
- O lucro contábil foi impulsionado pela activação de créditos fiscais diferidos de R$ 12,4 bilhões; o BTG destacou que isso não deve mudar o momentum da história, ainda que haja impacto positivo no balanço para dividendos futuros.
- O volume de energia disponível para venda em 2026 ficou em um range entre 8% e 26%, dependendo das premissas consideradas, o que contribui para a divergência de expectativas entre os analistas.
- No balanço, a AXIA apontou queda na receita de geração por venda de usinas termelétricas e ressarcimento a consumidores; despesas com PMSO caíram 16% no trimestre; os investimentos somaram R$ 3,86 bilhões; a alavancagem fechou o ano em 2x e a companhia vale R$ 183 bilhões na bolsa.
A AXIA Energia divulgou lucro líquido de R$ 13,9 bilhões no quarto trimestre, alta superior a 1.000% ante o mesmo período de 2024, impulsionado por ajustes tributários. A empresa também revisou suas estimativas de lucros futuros, surpreendendo o mercado.
Os resultados ajustados, excluindo efeitos não recorrentes, receberam avaliação mista entre analistas. Enquanto o BTG descreveu o desempenho como “muito forte”, houve divergência com expectativas de outras casas.
O lucro contábil da antiga Eletrobras ficou em R$ 1,25 bilhão, 141% acima do 4T24. Variação ficou acima de projeções do BTG, mas ficou aquém de estimativas do Itaú BBA e UBS BB.
Desempenho financeiro e impactos operacionais
O EBITDA regulatório ajustado foi de R$ 5,7 bilhões, alta de 13% na comparação anual. O BTG apontou EBITDA ajustado de R$ 5,9 bilhões, acima de sua previsão de R$ 5,4 bi, enquanto a XP esperava R$ 6,4 bilhões.
A companhia destacou ativação de créditos fiscais diferidos, que aumentaram o lucro contábil, e disse ter elevadas provisões para dividendos futuros. O ganho decorreu do reconhecimento de R$ 12,4 bilhões em ativo fiscal diferido.
A XP manteve visão neutra sobre o balanço e a tese de investimento, enquanto a Genial avaliou o resultado como pouco abaixo de suas expectativas, mantendo a AXIA entre suas preferidas no setor.
Fatores que explicam o resultado e perspectivas de volumes
Um dos motivos para a divergência de projeções é a ausência de divulgação de volumes de energia disponível para venda. A AXIA apresentou um intervalo para o volume descontratado de 2026 entre 8% e 26%, dependendo das premissas, sem detalhar cada uma.
Esse volume descontratado é relevante porque se beneficia da tendência de alta e de maior volatilidade dos preços da eletricidade, alimentando visões positivas sobre a ação. A empresa informou que o 4T foi impactado pela queda de receita de geração, pela venda de usinas termelétricas e por ressarcimentos a consumidores.
Estrutura de custos, investimentos e alavancagem
Os custose PMSO caíram 16% na comparação anual, para R$ 1,76 bilhão, sinalizando ganhos de eficiência após privatização. O rebranding, anunciado em outubro, gerou R$ 60 milhões em despesas.
Empréstimos compulsórios herdados foram reduzidos em R$ 663 milhões frente ao trimestre anterior, mantendo o estoque de provisões em R$ 11,1 bilhões desde 2022. Os investimentos no trimestre somaram R$ 3,86 bilhões, com aportes em transmissão recordes para 2025, de R$ 4,75 bilhões.
A alavancagem encerrou o ano em 2x, ante 1,9x no trimestre anterior. A AXIA tem valor de mercado estimado em torno de R$ 183 bilhões na bolsa.
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