- Em Madrid, a startup Habitacion.com vende quartos em flats compartilhados por até 80 mil euros, com 200 quartos vendidos no ano passado e fila de espera de 32 mil; atua em sete cidades.
- Em Londres, a desenvolvedora Fairview oferece o programa “Buddy Up”, conectando amigos para comprar juntos e ajudando com até 2 mil libras em taxas legais.
- Bancos em Reino Unido, França, Alemanha e Itália estão reativando hipotecas com zero ou baixo depósito, mas com custos maiores e exigência de renda estável.
- Casos na Grã-Bretanha mostram famílias que usaram hipoteca sem entrada para obter moradia após anos de aluguel, buscando estabilidade.
- Em Espanha, a PropHero oferece participação em imóveis de aluguel a partir de 20 mil euros, além de comprar propriedades no sul do país para cobrir aluguel ou vender no futuro.
Madrid/Londres, 27 fev (Reuters) – A crise habitacional na Europa impõe soluções não convencionais. Em flats compartilhados, jovens pagam quartos isolados; em Londres, um desenvolvedor oferece apoio financeiro para compra coletiva; em toda a região, investidores ajudam a cobrir custos de moradia.
Ao longo da última década, preços subiram mais rápido que salários na União Europeia, pressionando especialmente quem está começando a vida adulta. Dados da Comissão Europeia apontam esse descompasso entre renda e valores imobiliários, enquanto planos da União para baratear moradia ainda ganham forma.
Em Madrid, a startup Habitacion.com comercializa quartos individuais por até 80 mil euros, cerca de um terço do valor de um flat de um dormitório na mesma área. A empresa vendeu 200 quartos no último ano e registra fila de espera de 32 mil interessados, com imóveis em sete cidades.
Oferta para quem tem orçamento apertado
Oriol Valls, fundador da Habitacion.com, afirma que a solução ajuda quem enfrenta o aperto financeiro, já que salários médios na Espanha cresceram 26% na última década, ante alta de 81% nos preços de imóveis. O serviço cruza dados de compatibilidade para parear moradores ou co-proprietários.
Um possível comprador, que preferiu não se identificар, relatou ter sido oferecida uma linha de crédito pessoal de 10 anos a 6% de juros para viabilizar aquisição, porém não houve disponibilidade de quartos em Madrid. A fonte lembra que a opção pode não atender quem quer morar com o parceiro.
O movimento no Reino Unido
Em Londres, a Fairview lançou o programa Buddy Up, conectando amigos a corretor e escritório de advocacia, com até 2 mil libras para custos legais se decidirem comprar juntos. Bancos na Espanha, França, Alemanha e Itália voltam a oferecer hipotecas com baixo ou zero entrada, ainda que com custos maiores e exigência de renda estável.
Casal de West Yorkshire, Natalie e Martin Walker, usou uma hipoteca de zero entrada após um aviso de despejo para garantir a casa após quatro anos de aluguel. Eles ressaltam a estabilidade proporcionada pela aquisição.
Investimento compartilhado na Espanha e Irlanda
De volta à Espanha, Carlos Sempere, engenheiro de 36 anos, optou por investir em uma propriedade para aluguel via PropHero, em vez de tentar comprar na cidade de Madrid, onde os imóveis são avaliados em torno de 1 milhão de euros. A empresa também oferece participação em prédios de aluguel por valores a partir de 20 mil euros.
Para quem não pode adquirir um imóvel inteiro, a PropHero promete participação em complexos residenciais na Espanha e na Irlanda, ampliando opções de entrada no mercado. Analistas destacam que as alternativas surgem diante de condições de mercado cada vez mais desafiadoras.
Patricio Palomar, da AIRE Partners, observa que soluções de moradia refletem o aperto financeiro generalizado. Segundo ele, tais modelos mostram como a parcela da população está ficando mais desfavorecida diante do cenário atual.
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