- O colapso do Banco Master expôs fragilidades do modelo de expansão apoiado pela garantia do FGC para títulos como CDBs.
- O FGC já desembolsou cerca de R$ 37,2 bilhões e 653 mil credores receberam; o total estimado para ressarcimentos é de aproximadamente R$ 51 bilhões.
- Investidores ficam mais conservadores; casos como o de Marina mostram ressarcimento via FGC em menos de 24 horas, mas muitos ainda aguardam.
- O FGC discute medidas para recompor o caixa: antecipar contribuições, criar uma cobrança extra e negociar uso do compulsório com o Banco Central; especialistas defendem revisão do modelo.
- A recomposição do fundo pode elevar custos para bancos e correntes, refletindo em tarifas, juros de crédito e menor rendimento para investidores, além de reduzir a oferta de crédito.
Morando em Nova York, Marina, 27, decidiu aplicar os 10 mil reais que guardava para retornar ao Brasil. Sem experiência no mercado, recorreu ao ChatGPT e escolheu um CDB do Banco Master, atraída pela promessa de rendimento e resgate rápido.
Em novembro, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central. Marina conseguiu reaver o dinheiro por meio do FGC em menos de 24 horas, mas milhares de clientes ainda aguardam ressarcimento. O caso abalou a confiança no setor.
A quebra expôs fragilidades de um modelo de expansão apoiado na garantia do FGC, utilizado por bancos, corretoras e fintechs para vender CDBs e outros títulos a investidores com pouca experiência no mercado.
Para especialistas, o episódio indica a necessidade de entender melhor os limites da proteção do FGC e o real risco associado aos títulos ofertados pelo mercado. A confiança dos investidores ficou abalada, levando muitos a adotar postura mais conservadora.
Promessa de segurança
O FGC foi criado em 1995 para proteger depósitos e aplicações. O teto de proteção é de até 250 mil reais por CPF ou CNPJ, com um limite agregado de 1 milhão a cada quatro anos, incluindo rendimentos.
Economistas entrevistados pelo g1 destacam que o FGC passou a servir como argumento de venda para reduzir a percepção de risco. Títulos vinculados ao fundo eram apresentados como garantia absoluta, mesmo diante de riscos de mercado.
Para clientes sem orientação, muitas corretoras destacavam CDBs do Master como opções de alto rendimento, sinalizando segurança por meio da proteção do FGC. Especialistas lembram que todo investimento envolve risco.
Apoios e críticas
Relatos de clientes apontam que a promessa de segurança, associada a campanhas de marketing, influenciou decisões de investimento. Alguns investidores destacaram que a remuneração oferecida pelo Master chegou a superar marcas de referência, o que elevou a atratividade.
Advogados consultados pelo portal destacam a possibilidade de violação de dever fiduciário nas relações entre corretoras, bancos e clientes. A defesa é de que a proteção não substitui a avaliação de risco individual.
Por outro lado, especialistas afirmam que o ressarcimento pelo FGC nem sempre reflete a viabilidade econômica dos investimentos realizados. A velocidade de devolução dos recursos varia conforme o tipo de credor e o caso específico.
Revisão do FGC
Entre os cerca de 800 mil investidores com direito à garantia apenas por causa do Master, o FGC estima pagar em torno de 51 bilhões de reais a partir dos ativos prejudicados. Até agora, 37,2 bilhões já foram desembolsados, com 653 mil credores ressarcidos, representando 84% dos beneficiários.
Os pagamentos aos casos remanescentes dependem de documentos adicionais, especialmente quando envolverem menores de idade ou inventários. As listas de credores do Will Bank e do Banco Pleno ainda estão em tratamento.
Fontes do FGC indicam que o fundo precisa recompor seu caixa, que antes da crise superava 140 bilhões de reais. Entre as medidas consideradas estão antecipar contribuições dos bancos, criar cobrança extra e negociar com o Banco Central o uso de parte do compulsório.
Especialistas defendem ajustes no modelo de financiamento do FGC para que instituições mais arriscadas contribuam de forma mais adequada. A ideia é alinhar a cobrança ao risco real, reduzindo distorções.
Para o Idec, com menos capital disponível, bancos e fintechs tendem a endurecer critérios de crédito, o que pode afetar famílias e empresas. A recomendação é manter a cautela sem reduzir a oferta de crédito.
Observação
Este texto integra a série especial do g1 sobre as repercussões do caso Banco Master e seus desdobramentos, incluindo causas da liquidação, funcionamento do FGC e impactos para o mercado. As informações são atualizadas conforme as fontes oficiais e apurações contínuas.
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