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Kenya pode cumprir promessa de petróleo de Turkana?

Gulf Energy assume Turkana e mira produção comercial até dezembro, mas comunidades cobram garantias de terra, meio ambiente e repartição de receitas

A Turkana elder stands in front of a boma in the settlement of Kapese. Image by Christopher Clark for Mongabay.
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  • Em 2010, a descoberta de petróleo perto de Lokichar, no Turkana, gerou expectativa de riqueza que ficou no papel; em 2020 a operação foi praticamente interrompida pela Tullow Oil.
  • A Gulf Energy Ltd. comprou a participação da Tullow em Turkana por 120 milhões de dólares, em setembro de 2025, com o governo do Quênia mantendo 25% da ação.
  • A empresa promete investir cerca de 6 bilhões de dólares no desenvolvimento dos campos e planeja começar a produção comercial até 1º de dezembro deste ano, com 20 mil barris por dia na fase inicial e 50 mil bpd até 2032.
  • Partes da população reivindicam participação desde o início, com títulos de terra reconhecidos a comunidades locais e uma participação de 5% das ações nacionais para as comunidades anfitriãs; há críticas à possível margem de até 85% da produção dedicada à Gulf para cobrir custos.
  • Desafios permanecem, incluindo impactos ambientais, segurança e a logística de escoamento, já que o gasoduto para Lamu foi abandonado e o transporte inicial depende de até 200 caminhões em estradas inseguras.

Lokichar, no norte do Quiripi Turkana, encara atraso na promessa do óleo. Em 2010, a Tullow Oil descobriu mais de 500 milhões de barris na região, celebrada pelo então presidente, mas a operação ficou paralisada em 2020. A infraestrutura permanece incompleta e a região espera sinais de progresso.

A venda da participação da Tullow para Gulf Energy Ltd. ocorreu em setembro de 2025, por US$ 120 milhões, com o governo keniano mantendo 25% do controle. A promessa é investir cerca de US$ 6 bilhões no desenvolvimento dos campos de Turkana.

Durante uma audiência em fevereiro, o chair da Gulf Energy, Francis Njogu, disse que a produção comercial deve começar até 1º de dezembro deste ano, iniciando com 20 mil barris/dia e aumentando para 50 mil até 2032. Ele prometeu empregos e oportunidades locais.

Contexto histórico

A população local [continua dependente de pastoreio], com secas recorrentes que fragilizam rebanhos e aumentam conflitos por água e terra. Comunidades registraram títulos de terra sob a Lei de Terras Comunitárias de 2016, fortalecendo participações locais na gestão do território.

O governo reconhece direito das comunidades a 5% das receitas nacionais de petróleo. O registro de títulos facilita acordos escritos e maior fiscalização sobre aquisição de terras, segundo autoridades locais.

Desafios e impactos

Entretanto, críticos questionam a condução do contrato com Gulf Energy, que pode ficar com até 85% da produção para cobrir o investimento, elevando a fatia do governo de receita apenas sobre o que sobra. A negociação sem licitação competitiva também é alvo de críticas.

O projeto ainda depende de licenças ambientais pendentes e de garantias sobre água, solo e meio ambiente. A segurança preocupa as comunidades, diante do aumento de violência entre grupos locais e a possibilidade de desordem semelhante a 2018.

Logística e perspectivas

O transporte do petróleo depende de vias terrestres, já que o traçado de um gasoduto de exportação até o porto de Lamu foi cancelado por custos. Inicialmente, até 200 caminhões podem ser usados para transportar até 20 mil barris diários.

Analistas divergem sobre o sucesso do empreendimento. Enquanto alguns lembram a necessidade de atuação rápida diante do cenário energético global, outros destacam riscos de custos crescentes e de retorno para as comunidades locais.

Veronica Lowoyan, proprietária de hotel em Lokichar, mantém expectativa cautelosa. Ela acredita que a região pode sentir melhorias, mas ressalta que ainda há muito a ser feito antes de ver ganhos reais para moradores locais.

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