- A Controladoria-Geral da União alertou fragilidades na licitação do Ministério da Agricultura para compra de 6 mil máquinas pesadas do Promaq, levando a revisão e queda de quase R$ 1 bilhão no valor estimado, de R$ 4,07 bilhões para R$ 3,19 bilhões.
- Auditores identificaram problemas na documentação que justificava a quantidade a ser comprada e na pesquisa de preço.
- A análise revelou que havia 657 equipamentos com demanda registrada, em comparação com 2.330 solicitados em licitação anterior; o ministério informou ter 7.680 pedidos registrados na plataforma.
- A pesquisa de preços foi feita com apenas três referências, e dois fornecedores são sócios de uma terceira empresa, o que fragiliza a comparação mercadológica.
- A licitação foi suspensa para ajustes após as recomendações; o ministério não se pronunciou até a última atualização da reportagem.
O Ministério da Agricultura revisou uma licitação para a compra de 6 mil máquinas pesadas, como escavadeiras e tratores, após alerta da CGU. O valor previsto foi reduzido de 4,07 bilhões de reais para 3,19 bilhões. As máquinas seriam para o Programa Nacional de Modernização e Apoio à Produção Agrícola (Promaq).
Auditores identificaram falhas na documentação que justificava a quantidade de equipamentos e na pesquisa de preço. O processo foi suspenso para ajustes, sob recomendação da Controladoria-Geral da União (CGU).
Fragilidades na documentação e na pesquisa de preços
A CGU apontou inconsistências na justificativa de demanda, com número de máquinas não condizente com pedidos registrados. Em comparação histórica, a licitação anterior solicitou 2.330 unidades.
O ministério informou ter 7.680 pedidos registrados na plataforma governamental, o que, na prática, tornaria a compra menor que o previsto, segundo os auditores.
A CGU também questionou a robustez da pesquisa de preços. Foram consideradas apenas três referências: uma contratação antiga do ministério e duas cotações de empresas, cujos administradores são sócios de outra empresa.
Foi apontada ausência de avaliação de economia de escala e de informações sobre quantidade solicitada, já que cotações cobriam apenas unidades isoladas.
A revisão mostrou ainda erros materiais e falta de documentação de suporte. Mesmo com ajustes, a CGU manteve fragilidades no suporte documental para embasar a compra. A expectativa é que o ajuste final leve em conta regiões e necessidades do Promaq.
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