- A Raízen informou que pode recorrer à recuperação extrajudicial enquanto renegocia dívidas com credores.
- Shell e Rubens Ometto vão aportar juntos R$ 4 bilhões na empresa: R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões pela holding de Ometto.
- A proposta inclui reestruturação da dívida, com possível conversão de parte em participação, alongamento de vencimentos e venda de ativos não estratégicos.
- A empresa busca um ambiente protegido para negociar com credores e chegar a uma solução consensual, que pode ser implementada pela recuperação extrajudicial.
- O contexto envolve dívida líquida de R$ 55,3 bilhões, alavancagem de 5,3 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, e uma baixa contábil de US$ 2,1 bilhões, após tratativas entre Cosan, Shell e BTG Pactual.
A Raízen informou que pode recorrer à recuperação extrajudicial como caminho para renegociar seu endividamento. A empresa busca, junto a credores, uma solução estável para evitar maiores impactos em seu balanço. O anúncio ocorreu por meio de comunicado divulgado na noite de quarta-feira (4).
Segundo a declaração, os acionistas Shell e Rubens Ometto (fundador da Cosan) concordaram em aportar conjuntamente R$ 4 bilhões na Raízen. A Shell ficará com R$ 3,5 bilhões e Ometto, R$ 500 milhões via holding.
A proposta envolve uma reestruturação ampla da dívida, incluindo possível conversão de parte dos débitos em participação societária, alongamento de vencimentos e venda de ativos não estratégicos. A ideia é criar ambiente protegido para negociações com credores.
A Raízen adicionou que pretende alcançar uma solução consensual com apoio dos credores financeiros, podendo ser implementada por meio de um processo de reestruturação extrajudicial, se necessário.
A medida surge após as negociações entre Cosan, Shell e outros interessados não alcançarem um acordo sobre um resgate mais amplo. Fundos de private equity gerenciados pelo BTG Pactual não participaram do aporte, conforme apurado pela Bloomberg News.
Dívida e equilíbrio financeiro
A empresa encerrou o ano com dívida líquida de R$ 55,3 bilhões, alta de 43% em relação ao anterior, refletindo juros elevados, safras fracas e investimentos intensivos. A alavancagem subiu para 5,3 vezes o EBITDA, ante 3,0 vezes no período anterior.
A deterioração do balanço levou a rebaixamentos de rating e queda nos preços de seus títulos. O aperto financeiro intensificou as negociações com acionistas e credores para estabilizar a estrutura de capital.
A Raízen enfrentou ainda uma baixa contábil de US$ 2,1 bilhões no mês passado, associada à piora das condições de mercado, destacando a urgência de soluções para a empresa, uma das maiores produtoras de biocombustíveis do Brasil.
O governo federal acompanhou o assunto, com o presidente Lula sinalizando disposição de reuniões entre executivos de empresas relevantes para evitar impactos amplos na economia. O objetivo é manter o equilíbrio do setor de energia e agroindústria.
Fontes disseram que as conversas continuam entre as partes interessadas, com foco em uma solução estável que minimize custos de financiamento e preserve operações. As informações oficiais foram divulgadas pela própria Raízen.
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