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Corrida por minerais críticos ameaça assentamentos de reforma agrária na Amazônia

Corrida por minerais críticos avança em Carajás, sobrepondo-se a 82 assentamentos de reforma agrária e ampliando riscos ambientais e sociais para famílias

Ibama (Brazilian Institute of Environment and Renewable Natural Resources) conducting an operation to combat illegal gold mining in Indigenous territory in the state of Pará, Brazil.
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  • Estudo exclusivo aponta 676 processos de mineração para cobre, manganês e níquel em Carajás desde 1969, com 166 casos nos últimos cinco anos (2021–2025).
  • Do total, 292 pedidos (43%) afetam 82 assentamentos de reforma agrária distribuídos em nove municípios do sudeste do Pará, envolvendo 14.852 famílias.
  • A Vale lidera a corrida por minerais críticos em Carajás, com 201 pedidos para cobre, níquel e manganês; 80 desses casos overlappam com assentamentos, em nome de Vale Metais Básicos, Salobo Metais e Mineração Onça Puma.
  • Moradores de Tucumã temem impactos ambientais, como poeira, danos a moradias, escassez de água e mortalidade de peixes, e falam em possível realocação apenas para 2027.
  • Regulação criada no governo de Jair Bolsonaro facilita aproveitamento de áreas de reforma para mineração, com mecanismos de compensação, mas INCRA ainda não confirma ações ou condições de mitigação.

Parauapebas, Pará – Um avanço da mineração de minerais críticos ocorre sobre áreas de reforma agrária na região de Carajás, elevando o risco de comprometer assentamentos. Dados de ANM, cruzados pelo Observatório de Transição Energética, apontam que a atividade mira cobre, manganês e níquel, usados em chips, baterias e defesa.

A investigação conjunta do Repórter Brasil e Mongabay reúne 676 pedidos de lavra desde 1969, com 166 ocorrendo nos últimos cinco anos (2021–2025). Destes, 292 solicitudes dizem respeito a 82 assentamentos, abrangendo nove municípios da região sul e sudeste do Pará.

Vale lidera a corrida por minerais críticos em Carajás, com 201 pedidos para cobre, níquel e manganês, 80 deles sobrepostos a áreas de reforma. Suas controladas Vale Metais Básicos, Salobo Metais e Mineração Onça Puma aparecem entre os requerentes.

Impactos nas comunidades e no ambiente

Os assentamentos, onde vivem mais de 14 mil famílias, enfrentam pressões de explotação com impactos relatados, como poeira constante, danos estruturais e redução de água. Relatos indicam risco de contaminação de rios próximos aos empreendimentos de cobre e níquel.

As operações de Onça Puma, vinculadas à Xikrin do Cateté, já foram alvo de ações do Ministério Público Federal por possível contaminação por metais pesados. A Vale nega relação direta entre suas atividades e a contaminação do Cateté, afirmando que laudos indicariam outra fonte.

Contexto regulatório e perspectivas

A expansão ocorreu após normas durante o governo Bolsonaro facilitarem a atuação de mineração em áreas de reforma. A regulamentação exige análise de compatibilidade com o programa de reforma agrária e prevê diversas medidas de compensação, cooperação e possível realocação de famílias.

Especialistas avaliam que Carajás pode virar uma zona de sacrifício para a transição energética, com disputas entre interesses de mineração, comunidades locais e políticas públicas. Autoridades e empresas não divulgaram respostas unificadas sobre mitigação de impactos.

Situação local e impactos sociais

Parauapebas tem histórico de arrecadação de CFEM como principal polo de mineração, mas parte da população permanece em situação de pobreza. Em 2022, milhares de famílias em vulnerabilidade social dependiam de programas governamentais, evidenciando desigualdades presentes na região.

Movimentos sociais, como o MST, reafirmam a urgência de melhorar educação e infraestrutura. Em 2025, a cidade viu protestos em defesa de condições de vida, incluindo demandas por transporte e serviços públicos.

Perspectivas futuras

A região abriga outras operações, como cobre na Tucumã e a presença de Ero Brasil, braço da canadense Ero Copper, além de disputas envolvendo indígenas. Com preços elevados de cobre recentemente, o ritmo de projetos pode se intensificar, exigindo respostas claras sobre impactos e mitigação.

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