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Conflito no Oriente Médio expõe riscos fósseis na África e energia limpa

Conflito no Oriente Médio eleva preços de energia, pressiona inflação e reservas na África sub-saariana, e reforça a necessidade de electrificação e renováveis

Solar power in Sudan. Image © UNDP Sudan/Muhanad Sameer.
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  • A crise no Oriente Médio pode impactar economicamente a África Subsaariana, elevando custos de combustível, alimentos e inflação, segundo análise da Zero Carbon Analytics.
  • Cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passa pelo estreito de Hormuz; o prolongamento do conflito pode derrubar preços e ampliar custos nas economias africanas dependentes de importação.
  • Países como Senegal, Benin, Eritreia, Burquina Fasso e Zâmbia aparecem entre os mais vulneráveis, com reservas cambiais limitadas para sustentar compras de combustível mais caro.
  • A elevação de preços de energia pode elevar o custo de fertilizantes e de alimentos, pressionando a segurança alimentar na região.
  • Medidas de resiliência sugeridas incluem acelerar a eletrificação e o uso de fontes renováveis, como vento e solar; no entanto, o financiamento continua sendo barreira importante.

A crise no Oriente Médio pode provocar ondas de choque econômicas na África subsaariana, elevando custos com combustível, alimentos e inflação, segundo uma análise da consultoria energética Zero Carbon Analytics. O estudo aponta que, se o conflito se prolongar, o preço da energia tende a subir e afetar economias que dependem fortemente de importações de petróleo e gás.

Quase 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passam pelo Estreito de Hawar, entre Irã, Omã e Emirados Árabes Unidos. A continuidade do conflito poderia elevar os preços globais, pressionando especialmente os países africanos que importam grande parte de seus combustíveis.

Entre os mais vulneráveis estão Senegal, Benin, Eritreia, Burkina Faso e Zâmbia, que combinam alta dependência de combustível importado com reservas estrangeiras limitadas. Com isso, podem enfrentar dificuldades para pagar por mais caro, o que afetaria câmbio e reservas internacionais.

O analista que dirigiu o estudo explica que a elevação dos preços leva à depreciação das reservas em dólares e ouro, o que encarece a importação de bens. A consequência direta seria maior inflação interna e menor poder de compra.

Os impactos não se limitam aos combustíveis: custos de produção de fertilizantes, em grande parte derivados de combustíveis fósseis, podem subir, elevando o preço de alimentos e a insegurança alimentar em partes do continente.

Se o Estreito de Hormuz permanecer fechado, as dificuldades de transporte de pessoas, alimentos e mercadorias tendem a aumentar, freando o crescimento econômico e ampliando a inflação. O aperto monetário pode acompanhar, pressionando juros e reduzindo renda disponível.

Riscos para a África e caminhos

O relatório aponta alternativas para aumentar a resiliência diante de choques fossíferos. A electrificação acelerada e a mudança de importação de combustíveis são opções centrais para reduzir vulnerabilidade. A Etiópia já avança com veículos elétricos, representando cerca de 6% da frota nacional, acima da média global.

A geração de energia renovável surge como uma das opções mais econômicas, sobretudo eólica e solar, mesmo com custos de armazenamento de baterias em queda. O financiamento continua, no entanto, como principal entrave para ampliar investimentos em renováveis.

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