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Cosan não participa mais de negociações com Shell sobre Raízen, diz CEO

Cosan não participa mais das negociações com a Shell sobre a Raízen; credores discutem o futuro da empresa e as conversas seguem em evolução

Impasse entre acionistas ocorre em meio a negociações para recapitalizar a produtora de açúcar e etanol.
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  • A Cosan não está mais diretamente envolvida nas negociações com a Shell para reestruturar a Raízen, segundo o CEO Marcelo Martins.
  • Martins afirmou que a última estrutura proposta não resolve a integridade dos problemas da Raízen e que os credores discutem o futuro com a Shell, com conversas em evolução.
  • As ações da Cosan subiram até 6,8% no início do pregão, enquanto as da Raízen caíram até 7,3%, puxando perdas no Ibovespa.
  • A Raízen enfrenta alta alavancagem e dívidas, com juros elevados, colheitas fracas e investimentos que ainda não geraram os retornos esperados; pode entrar em reestruturação extrajudicial.
  • Cosan e Shell divergem sobre separar as unidades de açúcar e etanol da distribuição de combustíveis; a Shell defende recapitalização antes de qualquer divisão.

A Cosan não participa mais diretamente das negociações com a Shell para reestruturar a Raízen, joint venture de açúcar e etanol. A informação foi confirmada pelo CEO Marcelo Martins durante teleconferência de resultados nesta terça-feira.

Martins afirmou que a Cosan não vê a estrutura proposta como solução para a integridade dos problemas da Raízen. Segundo ele, os credores passam a discutir o futuro da empresa com a Shell, e as conversas seguem em evolução.

As ações da Cosan dispararam até 6,8% no pregão de abertura em São Paulo, enquanto as da Raízen perderam até 7,3%, puxando o Ibovespa para baixo. A Raízen enfrenta dívida elevada e negociações para capitalização que se arrastam.

A empresa tem visto dificuldades com o crescimento da alavancagem e com fatores como juros altos, safras aquém do esperado e investimentos que ainda não geraram retorno. Em resultado recente, a Raízen registrou impairment de R$ 11 bilhões.

Martins disse que houve divergência entre Cosan e Shell sobre separar as unidades de açúcar/etanol do negócio de distribuição de combustíveis. A Cosan defende separação por alocação de capital; a Shell prefere recapitalizar primeiro.

Em coletiva anterior, Cristiano Pinto da Costa, diretor da Shell no Brasil, apontou riscos ao dividir a empresa num momento de instabilidade. A visão da Shell é manter a empresa integrada, com foco na recapitalização.

A Cosan, que atua ainda em ferrovias, gás natural e lubrificantes, encerrou o ano com dívida líquida de R$ 9,7 bilhões, 46% menor que no trimestre anterior, após aporte de capital no fim de 2025. A empresa busca reduzir endividamento com venda de ativos.

As classificações de crédito da Cosan foram revistas para baixo por agências, diante de preocupações com a Raízen. O grupo segue avaliando desinvestimentos, sem pressa para vender participação na operadora ferroviária Rumo, segundo Martins.

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