- O presidente eleito José Antonio Kast, de linha direitista, assume o cargo na quarta-feira; sua equipe econômica não detalhou contingências.
- Analistas dizem que as prioridades devem permanecer estáveis, mas a execução depende de câmbio, inflação e crescimento; se não houver o crescimento esperado, planos podem atrasar.
- Chile é o maior exportador de cobre e segundo maior produtor de lítio; o cobre subiu para US$ 13.618 por tonelada no fim de janeiro, e cada centavo de alta representa entre US$ 27 milhões e US$ 35 milhões na receita.
- O preço do petróleo está próximo de US$ 120 o barril, com o Chile, grande importador, sendo impactado; o fundo de estabilização de combustível MEPCO atua em ciclos de três semanas para suavizar variações.
- O mercado acionário (IPSA) subiu após a eleição, mas caiu mais de 10% desde o pico; o peso caiu cerca de 5%, e o JPMorgan advertiu que o MEPCO mitiga, mas não elimina, pressões inflacionárias, projetando inflação de 3,6% para dezembro com riscos de alta.
O Chile iniciou o mandato de Jose Antonio Kast em meio a volatilidade global, após a eleição prometendo crescimento econômico, desregulação e cortes de gastos públicos. As ações reagiram positivamente às expectativas, mas o cenário externo trouxe turbulência com o conflito no Irã.
Kast assume nesta quarta-feira, em meio a incertezas que podem impactar a agenda econômica. Um porta-voz da equipe econômica afirmou que não há contingências anunciadas, sem detalhar impactos imediatos das últimas oscilações.
Kenneth Bunker, analista político, disse que Kast foi eleito como um “governo de emergência” para resolver rapidamente temas que afetam os chilenos, destacando o foco em crescimento. O analista alerta que metas podem ser ajustadas pela inflação e pelo câmbio.
Economia dependente de commodities
O Chile, maior produtor mundial de cobre, tem receita fortemente influenciada pelo preço do metal. O cobre subiu a picos recentes, já refletindo na arrecadação, com cada centavinho gerando milhões para o tesouro, segundo dados do governo anterior.
Antes da escalada no Irã, especialistas estimavam até 4 bilhões de dólares em receitas adicionais com o aumento do cobre, embora os preços tenham mostrado alta volatilidade, recuando cerca de 8% em semanas recentes e voltando a oscilar.
O país é também importador relevante de petróleo, contribuindo para a pressão inflacionária diante de preços acima de 110 dólares o barril desde o início do conflito. Óleo caro tende a elevar custo logístico e câmbio.
Impactos esperados e avaliações técnicas
A inflação passou a ser foco de analistas, com Oxford Economics destacando riscos maiores para Chile, entre economias emergentes, diante do choque energético. O estudo aponta que Chile pode registrar maior pressão inflacionária no curto prazo.
Marcela Vera, da University of Santiago, reforça a vulnerabilidade externa do país, com pouca proteção financeira interna e extensa rede de acordos comerciais. Ela ressalta que o modelo chileno depende fortemente de exportações primárias.
O mercado acionário local confirmou a sensibilidade aos eventos globais: o IPSA atingiu máximos no fim de janeiro, com alta de cerca de 65% em relação ao ano anterior, mas recuou após as incertezas recentes. O peso também sofreu variações acentuadas.
A MEPCO, fundo de estabilização de combustíveis, atua em ciclos quinais para atenuar choques. Especialistas explicam que, se o conflito prosseguir, impactos sobre petróleo, logística e dólar podem se prolongar.
JPMorgan revisou projeções, indicando que o MEPCO reduz impactos de altas do petróleo, mas não elimina efeitos de pass-through. A instituição elevou a previsão de inflação para dezembro, com riscos inclinados ao lado positivo.
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