- A Raízen está próxima de chegar a um acordo com seus credores para iniciar uma recuperação extrajudicial, com a possibilidade de acordo já nesta semana.
- Bancos e detentores de dívida têm discutido enquanto reduzem posições de hedge em dólares para alinhar as tratativas.
- Cosan não está mais em negociações com a Shell para resgatar a empresa; as conversas agora envolvem Raízen, Cosan e Shell, conforme disse o CEO da Cosan.
- A proposta em discussão inclui aporte conjunto da Shell e Cosan de R$ 4 bilhões e pode envolver conversão de dívida em ações, alongamento de vencimentos e venda de ativos não estratégicos.
- Dados financeiros apontam dívida líquida de R$ 55,3 bilhões e alavancagem de 5,3 vezes; títulos com vencimento em 2034 caíram para cerca de 49,5 centavos de dólar, com rendimentos próximos de 19%.
A Raízen está próxima de chegar a um acordo com seus credores para iniciar uma recuperação extrajudicial, segundo pessoas familiarizadas com o tema, ouvidas pela Bloomberg News. O movimento ocorre nesta semana, à medida que as negociações avançam para uma solução de endividamento.
O acordo pode sair já nesta semana, conforme as fontes. Raízen e credores reduziram posições de hedge montadas para honrar dívidas em dólar à medida que as conversas se desenvolvem.
Cosan, que controla a Raízen em joint venture com a Shell, não participa mais de negociações com a petrolífera para resgatar a empresa. O CEO Marcelo Martins informou que os credores discutem o futuro da Raízen diretamente com a Shell, e as conversas seguem evoluindo.
Condições e perspectivas da reestruturação
A Shell e o fundador da Cosan, Rubens Ometto, concordaram em investir juntos R$ 4 bilhões como parte de uma proposta que envolve uma reestruturação mais ampla da dívida, com possibilidade de conversão de parte da dívida em ações, alongamento de prazos e venda de ativos não estratégicos.
A Raízen vem enfrentando pressão por juros elevados, safras abaixo do esperado e investimentos que ainda não retornaram, impactando o fluxo de caixa. Ao final do último ano, a dívida líquida somou R$ 55,3 bilhões, alta de 43% em relação ao ano anterior, com alavancagem de 5,3 vezes o EBITDA.
Títulos da empresa já haviam recuado após mudanças no tom sobre eventual reestruturação. Agências de rating rebaixaram o grupo para grau especulativo, acelerando o selloff. Os ativos da Raízen seguem sob monitoramento de credores e investidores, com foco na evolução das negociações.
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