- Economistas ouvidos pela Bloomberg afirmam que o BCE manterá as taxas de juros inalteradas até 2027, mesmo com riscos inflacionários ligados à guerra no Irã.
- Apenas 7% dos pesquisados esperam mudança nas taxas até dezembro; menos de um terço prevê aperto até o final do próximo ano.
- Mercados apontam expectativa de alta de 0,25 ponto na taxa de depósito para 2,25% até julho e chance de subir para 2,5% até o fim do ano.
- A duração da guerra no Irã é central na análise, com referências a diferentes cenários sobre impacto na inflação e nos preços de energia.
- Quase 80% dos entrevistados dizem que as novas projeções do BCE, previstas para a próxima decisão, trarão informações limitadas sobre o efeito da guerra.
Economistas consultados pela Bloomberg estimam que o Banco Central Europeu mantenha as taxas de juros estáveis até 2027, mesmo com riscos inflacionários ligados à guerra no Irã. O resultado é de uma sondagem realizada entre 6 e 11 de março, com 7% dos entrevistados esperando mudança até dezembro.
Quase um terço dos respondentes acredita em aperto até o fim do próximo ano, o que contrasta com a precificação dos mercados, que antecipam alta de 0,25 ponto até julho para chegar a 2,25% e uma chance de mais alta para 2,5% até o fim do ano.
Mudanças de cenário e inflação
A pesquisa indica que a duração da tensão no Irã é um fator central, com a maioria dos entrevistados prevendo conflito de curta duração. Desde então, o novo líder iraniano reiterou a posição de manter o Estreito de Ormuz fechado, enquanto o governo dos EUA e de Israel continuam ataques na região.
Além disso, bateram-se previsões de que a inflação pode reagir aos choques de energia após a invasão da Ucrânia em 2022. A expectativa é de vigilância contínua por parte do BCE, que afirma estar pronta para agir, se necessário, embora prefira observar sinais contraditórios sobre a duração do conflito.
Perspectivas de política monetária
Quatro em cada cinco pesquisados veem a próxima medida como um possível aumento, em contraste com uma parcela menor na edição anterior da sondagem. Quase 60% percebem riscos de alta de inflação mais fortes e 70% veem uma ameaça maior de ultrapassar a meta de 2%.
Sobre o próximo movimento do BCE, nenhum economista espera mudança na semana seguinte. A maioria acredita que não houve evidência suficiente para alterar de forma decisiva a trajetória, mesmo com o cenário de guerra.
Visão de especialistas e projeções
Analistas destacam que a trajetória depende fortemente dos choques de oferta e da resposta salarial, que pode sustentar a inflação. A avaliação é de que as projeções atualizadas devem incorporar parte das mudanças, mas sem refletir plenamente o impacto imediato da guerra no Irã.
Nomes de referência ressaltam que o BCE tende a manter o curso, monitorando a inflação e a atividade econômica. A autoridade monetária já sinalizou focar dados antes de decisões, mantendo portas abertas para ações futuras conforme o cenário evolua.
Contexto global
A pesquisa também aponta divergências sobre prazos de resolução de conflitos externos. Enquanto alguns governos sugerem prazos mais curtos, outras autoridades indicam possibilidades de escalada. A incerteza sobre a duração da guerra influencia avaliações de crescimento e pressões de preços na zona do euro.
Entre na conversa da comunidade