- Mercados estão divididos sobre o tamanho do primeiro corte do Banco Central, após a guerra no Irã impactar o petróleo.
- Opções de Copom na B3 mostram maior aposta em 0,25 ponto percentual, enquanto a possibilidade de 0,5 ponto ainda existe.
- A mediana das expectativas aponta 0,5 ponto percentual de queda, conforme o sistema de expectativas do BC; pesquisa da Bloomberg mostra empate entre 0,5 e 0,25.
- A curva de juros sinaliza um ciclo de cortes mais curto, encerrando em torno de 12,75% em junho de 2027.
- O BC mantém cautela: o diretor Nilton David diz que a calibragem será cuidadosa e a inflação e o cenário global serão observados.
O Copom encara uma posição estratégica diante da escalada do conflito no Irã, que elevou o preço do petróleo. As apostas para o primeiro corte da Selic, em quase dois anos, deixaram de ser unânimes. Enquanto alguns veem 0,25 ponto, outros mantêm 0,5 ponto no radar.
A pressão sobre a inflação ganhou contornos internacionais, com o petróleo próximo de 100 dólares o barril após o início do conflito. O impacto é observado na curva de juros, que reduziu a probabilidade de um recuo maior na próxima reunião.
No mercado, a decisão permanece em aberto. A curva DI aponta para um ciclo de cortes mais curto, com a taxa terminal em torno de 12,75% em 2027, mesmo após a guerra ter sido incorporada às expectativas.
Nilton David, diretor de política monetária do BC, afirma que a calibração dos juros continua válida, ressaltando que o caminho é cuidadoso e sem deixar a emoção guiar os dados. A meta é manter a Selic contracionista.
Especialistas divergem sobre o tamanho do recuo inicial. Analistas que defendem 0,25 ponto destacam o maior risco inflacionário no curto prazo e a elevação da incerteza global causada pelo petróleo. Outros defendem 0,50 ponto, argumentando espaço de manobra para combater a inflação.
Entre as casas de análise, o Citi aponta cautela adicional como ajuste necessário, enquanto o Goldman Sachs passou a prever um corte menor, de 0,25 ponto, refletindo a turbulência do petróleo. A BlackRock mantém a visão de um recuo de 0,5 ponto com cautela na comunicação do BC.
O mercado de opções de Copom na B3 mostrou movimentos: a proteção para 0,50 ponto recuou, enquanto a aposta por 0,25 ponto ganhou liquidez, sinalizando o ambiente de incerteza. O voto final depende da leitura de dados domésticos e externos até o encontro.
Especialistas destacam que o petróleo pode influenciar o ritmo da normalização monetária. Caso o petróleo permaneça pressionado e o câmbio se mantenha estável, há espaço para manter 0,5 ponto de corte. Se o preço do petróleo subir mais, o cenário tende a ficar mais mild.
Entre os agentes, há quem avalie que o ciclo de cortes pode começar de forma mais contida, para preservar credibilidade e evitar desancoragem de expectativas. A comunicação do BC deverá refletir vigilância diante de choques externos.
A expectativa de cenário brasileiro permanece dependente da evolução global. Analistas citados incluem nomes de bancos e gestoras, com visões que variam entre 0,25 e 0,50 ponto de queda, sempre alinhadas à inflação, câmbio e conjuntura internacional.
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