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Petrobras eleva diesel em R$ 0,38 nas refinarias após pacote do governo

Reajuste passa a valer neste sábado, leva o litro a R$ 3,65 e supera a desoneração de R$ 0,32 anunciada na véspera para tentar conter os efeitos da alta do petróleo

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (13) um aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel vendido às distribuidoras, com vigência a partir deste sábado, 14. Com o reajuste, o diesel A passará a custar, em média, R$ 3,65 por litro nas refinarias. A alta foi anunciada um dia após o governo federal divulgar […]

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (13) um aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel vendido às distribuidoras, com vigência a partir deste sábado, 14. Com o reajuste, o diesel A passará a custar, em média, R$ 3,65 por litro nas refinarias.

A alta foi anunciada um dia após o governo federal divulgar medidas para tentar reduzir o impacto da disparada do petróleo sobre os combustíveis, com isenção de Pis/Cofins e previsão de subvenção de até R$ 0,32 por litro.

Como o diesel vendido nos postos é composto por 85% de diesel A e 15% de biodiesel, o ajuste da estatal equivale a R$ 0,32 por litro no combustível comercializado ao consumidor.

Segundo a Petrobras, o impacto do aumento será atenuado pela desoneração dos tributos federais. A companhia também informou que pretende aderir ao programa de subvenção lançado pelo governo, que prevê desconto adicional de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores comprometidos em repassar o benefício ao consumidor.

A adesão, no entanto, depende da regulamentação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, que ainda deve definir os preços de referência exigidos pelo programa.

Defasagem e pressão no mercado

O reajuste foi o primeiro aumento do diesel desde fevereiro de 2025. A última mudança havia sido uma redução de 4,6% em 6 de maio de 2025, equivalente a R$ 0,16 por litro.

A Petrobras afirma que, mesmo após a alta anunciada, o preço do combustível nas refinarias acumula queda de R$ 0,84 desde dezembro de 2022.

Segundo cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, o preço médio do diesel da estatal estava 72% abaixo da paridade de importação no fechamento do mercado de quinta-feira, 12, o equivalente a R$ 2,34 por litro abaixo.

Com o reajuste, essa diferença permanecerá perto de R$ 2 por litro. Cerca de um quarto do mercado brasileiro é abastecido com diesel importado, e o mercado considera que o aumento anunciado ainda é insuficiente diante do risco de redução nas importações privadas e de problemas de abastecimento.

Também há reclamações de que a própria Petrobras vem realizando leilões de diesel com valores superiores aos anunciados em suas refinarias.

Nos leilões já realizados, os prêmios variam entre R$ 1,75 e R$ 2,05 por litro acima do preço normal.

Alta do petróleo e medidas do governo

A escalada dos preços ocorre em meio à disparada das cotações internacionais do petróleo após os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, que deram início a um conflito na região.

O barril do tipo Brent, referência internacional, saiu de cerca de US$ 70 no fim de fevereiro para aproximadamente US$ 100 na quinta-feira. Na segunda-feira, 9, chegou a US$ 119,50, maior valor desde meados de 2022.

Diante desse cenário, o governo federal anunciou três decretos e uma medida provisória para tentar conter a pressão sobre o diesel.

As principais medidas zeram a cobrança de Pis/Cofins sobre o combustível e criam uma subvenção de até R$ 0,32 por litro. A iniciativa foi apresentada em meio à pressão do agronegócio e do setor de transporte, que já sentem os efeitos da alta internacional sobre seus custos.

Segundo apuração da Folha com distribuidoras e revendedores, a isenção de Pis/Cofins já começava a ser repassada aos postos nesta sexta-feira, mas o alívio tende a perder força com o reajuste anunciado pela estatal.

Empresas importadoras também apontam incertezas em relação ao programa de subvenção. As dúvidas envolvem a falta de definição dos preços de referência pela ANP e a existência de ações judiciais sobre a subvenção de 2018, no governo Michel Temer.

As grandes distribuidoras cobram na Justiça o ressarcimento por vendas sem impostos de produtos que haviam sido adquiridos com tributação.

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