- Denis Pennel afirma que não há evidência concreta de que a IA esteja redesenhando o mercado de trabalho no ritmo sugerido por executivos e investidores, e que mudanças devem ocorrer de forma gradual.
- Ele aponta que demissões recentes em empresas como McKinsey e Amazon podem refletir o ciclo econômico, desaceleração global e incerteza geopolítica, não apenas automação.
- O impacto da IA, segundo Pennel, deve ser mais de reorganizar tarefas do que eliminar empregos, com foco em atividades repetitivas e operacionais.
- Há risco de aprofundar desigualdades por falta de acesso à internet: cerca de 2,2 bilhões ainda não tinham conectividade em 2025, conforme a UIT, enquanto 6 bilhões já estavam conectados.
- O especialista defende um sistema híbrido de proteção social para trabalhadores informais (cerca de 60% da força global), leis regulatórias flexíveis e mais opções contratuais, além de considerar a demografia como fator-chave de transformação.
Denis Pennel disse à Bloomberg Línea que a IA não derrubará empregos de forma acelerada. Em entrevista durante a Conferência Global do Mercado de Trabalho (GLMC) em Riad, ele avalia que ainda não há evidência de redesenho do mercado no ritmo propagado por executivos.
O especialista aponta que as demissões recentes de grandes empresas refletem ciclos econômicos e incertezas geopolíticas, não apenas automação. Para ele, é cedo para afirmar impactos diretos sobre empregos, com mudanças mais lentas e estruturais.
Desigualdades digitais e informalidade
Pennel afirma que a IA pode aumentar a produtividade, reorganizando funções mais do que eliminando postos. Atividades repetitivas devem sofrer primeiro, enquanto tarefas que exigem julgamento e criatividade se fortalecem.
Acesso à tecnologia é problemas-chave: cerca de 2,2 bilhões permaneceram sem internet em 2025, segundo a UIT. Aproximadamente 6 bilhões já estavam conectados, o que evidencia uma separação tecnológica global.
Outra linha diz respeito à economia informal, que envolve cerca de 60% da força de trabalho global, mais de 2 bilhões de pessoas sem contratos formais. A proposta é criar um sistema híbrido de proteção social, mesmo para quem está fora do modelo formal.
Caminhos regulatórios e contratuais
Pelas regras atuais, leis rígidas podem inibir contratações e ampliar informalidade. Pennel defende marcos regulatórios mais flexíveis para facilitar a transição gradual rumo à formalização, sem impor mudanças abruptas.
Como complemento, sugere ampliar arranjos de trabalho, como temporário, parcial ou programas de aprendizagem, para ampliar a inclusão de diferentes perfis no mercado formal.
Desafios demográficos e migratórios
O pesquisador também destaca a população em envelhecimento como vetor de transformação. Estima que a população mundial pode encolher até 2100, elevando a competição por trabalhadores em idade ativa.
Diante disso, fluxos migratórios devem ganhar peso, com países jovens atraindo mão de obra de outras regiões. A cooperação internacional é considerada essencial em um cenário de protecionismo crescente.
Visão consolidada do mercado de trabalho
Para Pennel, o conjunto de fatores — tecnologia, desigualdades, demografia e geopolítica — molda o mercado de trabalho hoje. A IA é um componente relevante, mas não o determinante único do curto prazo.
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