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Guerra no Irã transforma magnata coreano em gigante de superpetroleiros

Guerra no Irã eleva Sinokor a gigante de petroleiros, com frota usada como armazenamento flutuante a até US$ 500 mil por dia

Superpetroleiros ancorados na costa do Reino Unido aguardam enquanto investidores avaliam os rumos da recuperação do mercado.
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  • Ga-Hyun Chung, herdeiro do grupo sul-coreano Sinokor, fez compras e alugueis expressivos de petroleiros nas semanas que antecederam o conflito no Irã, aumentando a influência da empresa no mercado.
  • Com o fechamento do Estreito de Ormuz, as taxas de afretamento atingiram níveis recordes, chegando a cerca de US$ 500 mil por dia para armazenar petróleo.
  • Até fevereiro, a Sinokor estaria controlando aproximadamente 150 superpetroleiros, quase 40% dos navios que não estavam sancionados nem já comprometidos.
  • Navios vazios foram deslocados para o Golfo Pérsico e, com o estreito quase paralisado, atuam como armazenamento flutuante, elevando o custo de transporte para cerca de US$ 20 por barril para levar petróleo da região à China.
  • Especialistas dizem que a aposta força o mercado, pode manter lucros enquanto a interrupção de abastecimento persistir e pode influenciar os preços globais de petróleo.

Ga-Hyun Chung, herdeiro do grupo de navegação sul-coreano Sinokor, lidera uma operação que transformou a frota de petroleiros em uma reserva de armazenamento flutuante. A sequência de compras ocorreu nas semanas antes do início do conflito no Irã, ampliando a influência da empresa no mercado global de navegação.

Ações recentes da Sinokor, segundo fontes do setor, incluíram a aquisição ou locação de dezenas de superpetroleiros. Com o estreito de Ormuz parcialmente fechado, a oferta de navios vazios caiu e as taxas de afretamento atingiram patamares recordes, beneficiando a Sinokor.

Nos dias que antecederam o conflito, a empresa moveu ao Golfo Pérsico navios que ficaram parados à espera de cargas. Hoje, muitos deles operam como armazenamento flutuante, com fretes estimados em cerca de US$ 500 mil por dia, valor quase dez vezes maior que o registrado no ano anterior.

Aposta estratégica de alto risco

Corretores afirmam que a Sinokor controlava uma parcela significativa da frota de petroleiros, o que acentuou a concorrência e influenciou preços. A ocupação de uma parte relevante da capacidade global, aliada ao fechamento de Ormuz, elevou as taxas de frete para níveis históricos desde o início das hostilidades.

Fontes do mercado indicam que a empresa passou a negociar tarifas de transporte de petróleo da região para a China em torno de US$ 20 por barril, valor extraordinário frente aos cerca de US$ 2,50 registrados no ano anterior. A estratégia envolveu adquirir navios de outros armadores por valores médios próximos a US$ 88 milhões cada.

A Sinokor também consolidou a presença no Golfo Pérsico, com navios circulando entre as regioes como parte de uma tentativa de manter a disponibilidade de cargas para seus operadores. Em 29 de janeiro, um navio da empresa cruzou Ormuz com operação vazia, repetindo-se o movimento nos dias seguintes.

Impacto e perspectivas do setor

A interrupção no Irã elevou o risco logístico global, acelerando desvios de rotas e ampliando a demanda por armazenamento temporário. Mesmo após o fim dos conflitos, as autoridades estimam que a volatilidade no setor pode persistir, pressionando as taxas de frete por mais tempo.

Especialistas apontam que o caso da Sinokor representa uma das apostas mais agressivas já vistas no setor de petroleiros. Embora a estratégia tenha gerado ganhos significativos durante a crise, não há garantia de sucesso a longo prazo, diante de incertezas sobre o desenrolar do abastecimento global.

Pelo lado da Sinokor, o posicionamento financeiro tem sido objeto de análise entre investidores. Dados disponíveis indicam que ao final de fevereiro a empresa já exercia influência expressiva sobre a frota, o que chamou a atenção de economistas e operadoras rivais.

As informações sobre a operação da Sinokor foram compiladas a partir de entrevistas com corretores, armadores e ex-funcionários, que preferiram manter a anonimidade. A empresa não respondeu aos pedidos de comentário.

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