- Honda registrou encargos de depreciação de 15,7 bilhões de dólares, consequência de apostar demais em elétricos e ter modelos descartados antes do lançamento.
- As ações da empresa caíram mais de 7% após a divulgação, mirando o possível primeiro prejuízo anual.
- A montadora acumula quatro trimestres de perdas na operação automotiva, enquanto motocicletas e outras áreas permanecem lucrativas.
- Modelos elétricos recentes, incluindo o Prologue EV, tiveram desempenho fraco no mercado, com vendas caindo 64% no último mês comparado ao ano anterior.
- A Honda anunciou mudanças estratégicas, incluindo retorno do desenvolvimento de veículos à sua unidade de P&D, com planos de revisão do plano de negócios previsto para maio.
A Honda Motor anunciou encargos de depreciação no montante de US$ 15,7 bilhões, em sua maioria devido a uma aposta tardia e pouco duradoura em veículos elétricos. A divulgação, na semana passada, sinaliza dificuldades financeiras e incerta para o futuro como fabricante de automóveis.
A empresa sofre com quatro trimestres consecutivos de perdas na operação automotiva, a pior sequência desde o terremoto de Fukushima. As ações caíram mais de 7% desde a divulgação, com queda de 1,7% em Tóquio na segunda-feira.
A crise se expande para além dos elétricos. Nos EUA, principal fonte de receita, as vendas cresceram apenas 0,5% no ano passado, enquanto a China, antes promissora, estagnou. O momento evidencia que o desafio não é apenas tecnológico, mas de recuperação de mercado.
Rompimento com a tradição
A direção, liderada pelo CEO Toshihiro Mibe, planeja rever a estratégia de eletrificação para dar foco a novos modelos e reduzir custos. A meta inicial de 40% de veículos elétricos até 2030 foi revisada, marcando a guinada da empresa.
A Honda já testou caminhos diferentes: lançou o Prologue EV em 2024 em parceria com a GM, porém as vendas ficaram em 1.067 unidades no mês anterior, queda de 64% ante o ano anterior. Esse resultado refletiu o recuo de subsídios nos EUA.
Além disso, a empresa confirmou a compra da participação da LG Energy Solution em uma nova fábrica de US$ 4,4 bilhões em Ohio, reforçando o compromisso com baterias, mesmo com rivais recuando de empreendimentos semelhantes.
A estratégia de SDV (veículos definidos por software) foi questionada ao ser descartada a série 0 e o Acura RSX elétrico, previstos para estrear nos EUA. Analistas consideram a decisão um sinal de ajuste estratégico significativo.
Caminhos e mudanças internas
Em fevereiro, a Honda anunciou a reaproximação entre desenvolvimento de veículos e P&D avançada, encerrando uma separação de seis anos. A medida procura recuperar foco em inovação e competitividade de produtos.
A empresa vinha buscando dobrar o ritmo de desenvolvimento de híbridos até o fim da década, mas reduziu a produção de híbridos nos EUA e não oferece opções híbridas para caminhões, vans ou SUVs maiores. O Prelude híbrido teve desempenho fraco.
A trajetória recente também aponta para ajustes estruturais: a gestão promete apresentar um plano de negócios revisado com mudanças adicionais. O documento deverá sair junto com os resultados financeiros do ano, em maio.
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