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O custo oculto dos subsídios à pesca

Subsídios à pesca elevam custo fiscal oculto e pressionam os oceanos; reforma demanda transparência, monitoramento e reequilíbrio orçamentário

Frozen tuna are transferred from the Hung Hwa 202, a Taiwanese longliner, to the Hsiang Hao, a Panama-flagged reefer operating out of Tokyo, Japan, in the middle of the Atlantic Ocean. The Greenpeace ship Arctic Sunrise and crew are investigating distant water fishing fleet practices in the Mid-Atlantic during September and October 2019.
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  • Subsidies públicas para pesca financiam boa parte do esforço industrial, aumentando capacidade e pressão sobre estoques, com benefícios econômicos menores que os custos.
  • Em 2018, os maiores subsidizantes foram China, Japão, Coreia, Rússia e Estados Unidos; juntos, também investiram em atividades de pesca em águas de outros países.
  • Reformas fiscais e de subsídios podem reduzir incentivos a pescar, especialmente quando combinadas com apoio a aposentadoria de embarcações e medidas de monitoramento.
  • O acordo da Organização Mundial do Comércio sobre subsídios de pesca, em vigor desde setembro de 2025, busca proibir subsídios ligados a pesca ilegal, não monitorada ou sobrepescada e aumentar transparência.
  • Tornar os oceanos parte do balanço público envolve usar reformas contábeis para promover fiscalização, monitoramento e investimentos em infraestrutura costeira que reduzam passivos públicos, como manguezais e restauração de recifes, ao invés de apenas ampliar a capacidade de pesca.

O custo oculto dos subsídios à pesca é o tema central de uma análise que une finanças públicas e ecossistema marinho. Public funds sustentam parte da atividade pesqueira, especialmente nas águas de alto mar, com impactos econômicos e ambientais significativos.

Estudos indicam que, em 2014, governos subsidiaram frotas de alto mar em cerca de 4,2 bilhões de dólares, ultrapassando o benefício econômico líquido da atividade. Sem subsídios, até 54% dessas áreas poderiam não ser lucrativas. A conclusão aponta para uma relação entre apoio público e pressão de pesca.

Os padrões de subsídio são diretos: combustíveis, isenções fiscais, construção naval e desenvolvimento portuário alimentam a capacidade de pesca, enquanto outras despesas ajudam gestão e pesquisa. A diferença está no efeito real sobre o esforço pesqueiro.

China lidera os maiores subsídios em 2018, com 5,9 bilhões de dólares, seguido por Japão, Coreia, Rússia e EUA. Dados indicam que parte desses recursos move a pressão para águas de outros países, alterando dinâmicas geográficas da pesca.

A Organização Mundial do Comércio criou acordo global sobre subsídios à pesca, em vigor desde setembro de 2025. Ele proíbe subsídios ligados a pesca ilegal, não reportada ou sobrepescada, e aumenta a transparência, com reporte de identificação de embarcações e dados de estoque.

Para economistas, a mudança não é apenas contábil, mas prática: ajustar incentivos públicos por meio de contabilidade pública. Reformas podem priorizar monitoramento, ciência e fiscalização em vez de expansão de capacidade.

A ideia central é colocar os oceanos no balanço público. Se um estado tratar a pesca como ativo renovável, há incentivo para proteger a capacidade produtiva e reduzir subsídios à liquidação, buscando menos apoio à frota e mais medidas de gestão.

O papel de portos e infraestrutura também aparece. Expandir portos exige cortar custos com erosão ambiental, recifes e manguezais, por meio de soluções que diminuam passivos públicos futuros, como restauração ambiental e monitoramento costeiro.

O relatório destaca que reformas bem-sucedidas costumam combinar cortes de subsídios prejudiciais com apoio a quem sai da pesca, como indenizações para aposentadoria de embarcações, fortalecendo a gestão de longo prazo.

Visões práticas indicam que dados abertos, uso de AIS e monitoramento por satélite tornam a fiscalização mais eficiente e defensável junto a órgãos de orçamento. Mesmo investimentos modestos podem ampliar a previsibilidade da atuação pública.

Em resumo, o debate não exige amor pela natureza, mas responsabilidade fiscal. Tornar explícitos os custos e benefícios por meio de contas públicas pode reduzir vulnerabilidade orçamentária e evitar que o mar absorva custos indevidos indefinidamente.

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