- Subsidies públicas para pesca financiam boa parte do esforço industrial, aumentando capacidade e pressão sobre estoques, com benefícios econômicos menores que os custos.
- Em 2018, os maiores subsidizantes foram China, Japão, Coreia, Rússia e Estados Unidos; juntos, também investiram em atividades de pesca em águas de outros países.
- Reformas fiscais e de subsídios podem reduzir incentivos a pescar, especialmente quando combinadas com apoio a aposentadoria de embarcações e medidas de monitoramento.
- O acordo da Organização Mundial do Comércio sobre subsídios de pesca, em vigor desde setembro de 2025, busca proibir subsídios ligados a pesca ilegal, não monitorada ou sobrepescada e aumentar transparência.
- Tornar os oceanos parte do balanço público envolve usar reformas contábeis para promover fiscalização, monitoramento e investimentos em infraestrutura costeira que reduzam passivos públicos, como manguezais e restauração de recifes, ao invés de apenas ampliar a capacidade de pesca.
O custo oculto dos subsídios à pesca é o tema central de uma análise que une finanças públicas e ecossistema marinho. Public funds sustentam parte da atividade pesqueira, especialmente nas águas de alto mar, com impactos econômicos e ambientais significativos.
Estudos indicam que, em 2014, governos subsidiaram frotas de alto mar em cerca de 4,2 bilhões de dólares, ultrapassando o benefício econômico líquido da atividade. Sem subsídios, até 54% dessas áreas poderiam não ser lucrativas. A conclusão aponta para uma relação entre apoio público e pressão de pesca.
Os padrões de subsídio são diretos: combustíveis, isenções fiscais, construção naval e desenvolvimento portuário alimentam a capacidade de pesca, enquanto outras despesas ajudam gestão e pesquisa. A diferença está no efeito real sobre o esforço pesqueiro.
China lidera os maiores subsídios em 2018, com 5,9 bilhões de dólares, seguido por Japão, Coreia, Rússia e EUA. Dados indicam que parte desses recursos move a pressão para águas de outros países, alterando dinâmicas geográficas da pesca.
A Organização Mundial do Comércio criou acordo global sobre subsídios à pesca, em vigor desde setembro de 2025. Ele proíbe subsídios ligados a pesca ilegal, não reportada ou sobrepescada, e aumenta a transparência, com reporte de identificação de embarcações e dados de estoque.
Para economistas, a mudança não é apenas contábil, mas prática: ajustar incentivos públicos por meio de contabilidade pública. Reformas podem priorizar monitoramento, ciência e fiscalização em vez de expansão de capacidade.
A ideia central é colocar os oceanos no balanço público. Se um estado tratar a pesca como ativo renovável, há incentivo para proteger a capacidade produtiva e reduzir subsídios à liquidação, buscando menos apoio à frota e mais medidas de gestão.
O papel de portos e infraestrutura também aparece. Expandir portos exige cortar custos com erosão ambiental, recifes e manguezais, por meio de soluções que diminuam passivos públicos futuros, como restauração ambiental e monitoramento costeiro.
O relatório destaca que reformas bem-sucedidas costumam combinar cortes de subsídios prejudiciais com apoio a quem sai da pesca, como indenizações para aposentadoria de embarcações, fortalecendo a gestão de longo prazo.
Visões práticas indicam que dados abertos, uso de AIS e monitoramento por satélite tornam a fiscalização mais eficiente e defensável junto a órgãos de orçamento. Mesmo investimentos modestos podem ampliar a previsibilidade da atuação pública.
Em resumo, o debate não exige amor pela natureza, mas responsabilidade fiscal. Tornar explícitos os custos e benefícios por meio de contas públicas pode reduzir vulnerabilidade orçamentária e evitar que o mar absorva custos indevidos indefinidamente.
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