- A CFO da Oncoclínicas, Camille Faria, renunciou ontem à noite; a decisão não está ligada aos méritos da negociação com a Porto, mas à forma de comunicação da empresa.
- O fato relevante publicado ontem traz o novo CFO, Marcel Vieira, sócio da Latache, que assumiu após ficar no conselho até sexta-feira.
- O acordo prevê que a Porto aporte R$ 500 milhões em equity para 33% da newco de clínicas e 66% do capital votante, além de subscrever R$ 500 milhões em debênture conversível.
- A debênture será convertível em 48 meses, remunerada a 110% do CDI, com conversão voluntária pela Porto; credores da Oncoclínicas podem migrar dívida para a nova empresa.
- A empresa informou que a transação pode reduzir a dívida líquida transferida para a newco, mas os termos completos ainda não estão definidos; a Oncoclínicas abriu em alta de 9,2% e chegou a valer R$ 2,2 bilhões na bolsa.
A CFO da Oncoclínicas, Camille Faria, renunciou na noite de ontem, 48 horas após a divulgação de que a empresa negocia com a Porto um acordo que pode levar o grupo segurador a aportar até 1 bilhão de reais. A informação foi veiculada pela imprensa e confirmada por fontes próximas à companhia.
Segundo relatos de pessoas ligadas à Oncoclínicas, a saída não tem relação com os méritos da transação, mas com a forma como a decisão foi comunicada ao mercado. A executiva, que conduziu reestruturações financeiras em outras empresas, não quis assumir o risco de um disclosure considerado insuficiente.
Ontem, a empresa publicou um fato relevante assinado pelo novo CFO, Marcel Vieira, sócio da Latache e até então membro do conselho. A Latache é o segundo maior acionista, com 14,6% do capital, e participou da negociação do MOU não vinculante ao lado de Sérgio Machado, credor da Ark Capital.
Novo desenho da operação financeira
O fato relevante reiterou informações já divulgadas pelo Brazil Journal, sem detalhes adicionais. A Latache liderou as tratativas com a Porto, que pode aportar até R$ 1 bilhão, conforme negociações em curso. A empresa descreve a estrutura como uma nova companhia que abrigaria o negócio de clínicas.
A Porto poderia aportar R$ 500 milhões em equity para obter 33% da newco e 66% do capital votante, além de subscrever R$ 500 milhões em debênture conversível. Os termos de conversão e a condição de conversibilidade total ainda não estão claros, segundo a imprensa.
Condições e impactos na engenharia da dívida
Auxiliares próximos à operação indicam que parte da dívida líquida pode migrar para a newco. A debênture seria remunerada a 110% do CDI, com conversão voluntária pela Porto. Profissionais do setor destacam que o valor da avaliação depende de quanto da dívida será transferida.
A transação também envolve possíveis desdobramentos para credores da Oncoclínicas, que ficariam com opção de migrar seus créditos para a nova empresa clínica. A divulgação oficial não detalha o montante exato transferido, apenas menciona um valor determinado.
Reação do mercado e cenário atual
Após a divulgação inicial, as ações da Oncoclínicas abriram em alta, reagindo às expectativas sobre o acordo. A empresa passou a operar com valor de mercado próximo de 2,2 bilhões de reais na bolsa, refletindo a percepção de ganhos potenciais com a parceria.
Entre na conversa da comunidade