- A 39ª edição da feira Tefaf Maastricht abriu em 12 de março, na Holanda, e vai até 19 de março, com 276 expositores.
- A mostra continua valorizando obras de museu, incluindo Monet e peças de arte antiga, em um ambiente mais voltado a colecionadores de legado histórico.
- Mesmo com o foco no passado, há pressão para atrair compradores contemporâneos diante de dados como apenas 3% dos marchands de arte serem especializados em Old Masters.
- Compras de museus americanos destacaram-se na pré-estreia, incluindo uma escultura de donante kneeling do século XIV adquirida pelo Met por €1,5 milhão.
- Questões de logística, como ligações de transporte e hospedagem de alto nível, são citadas como entraves para ampliar o público da feira.
A 39ª edição da feira TEFAF Maastricht, nos Países Baixos, abriu para visitantes convidados no dia 12 de março e segue até o dia 19. O evento permanece conhecido como um cofre de obras de museu, reunindo itens de pré-1900 em booths de 276 expositores. O foco permanece no passado, mas o mercado atual demanda novas perspectivas.
Entre as peças em exibição estão duas séries de Claude Monet, de 1894, uma urna de granito egíaco do século I d.C. encomendada pelo imperador Nero e um mapa náutico europeu do século XIV, entre as primeiras dessas peças em mãos privadas. Também aparece um autômato de elefante mogol do século XVII, com a flacidez das orelhas em movimento, destaque entre as raridades.
A organização da TEFAF destacou a presença de compradores institucionais, incluindo museus nos Estados Unidos. O Met, o MFA de Boston, o Getty e o Cleveland Museum participaram do preview, adquirindo, entre outras peças, uma escultura de donor kneeling em marble datada do século XIV, adquirida pelo Met por cerca de €1,5 milhão. A Van Gogh Museum também esteve envolvida em negociações e visitas a stands com obras de época.
Com a feira abrigando 67 dealers de arte moderna e contemporânea e 56 de arte do século XIX e Old Masters, o equilíbrio entre o tradicional e o contemporâneo é tema recorrente. Questiona-se até que ponto o acervo antigo consegue manter relevância diante de movimentos de mercado mais recentes e da queda de valor de obras de artistas contemporâneos com menos de 40 anos, segundo fontes do setor.
Alguns vendedores destacam o interesse de colecionadores por qualidade de procedência e autenticidade, sobretudo em objetos não europeus, diante das novas regulamentações da União Europeia sobre importação de arte cultural. O comerciante Antwerp-based Nies Oriental Art relata boa procura por peças, com vendas de itens até €850 mil, apesar das dificuldades regulatórias.
Entre as peças de destaque, Monet aparece novamente em evidência: uma dupla de pinturas da série de 1894, avaliadas em cerca de US$ 20 milhões pela dupla de galerias londrinas que as oferece. Outros objetos de alto valor negociados no espaço incluem mapa de navegação do século XIV e um automato mogol, ambos com preços que variam conforme o interesse de colecionadores institucionais.
Apesar da tradição, a TEFAF Maastricht enfrenta desafios logísticos. Expositores e visitantes apontam problemas como ligações de transporte precárias e disponibilidade de hospedagem, o que encarece e complica a experiência de visita. Segundo especialistas, manter a relevância requer equilibrar o apelo histórico com uma oferta contemporânea convincente.
O evento, que atrai uma audiência de cerca de 450 instituições ao longo de sua programação, segue aberto ao público restrito até o encerramento. A organização mantém o objetivo de manter Maastricht como destino de referência para compras institucionais de obras de arte de alta qualidade, mesmo diante de um mercado em transformação.
Entre na conversa da comunidade