- O Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial do Banco Master Multiplo, integrante do grupo Banco Master e ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, interrompendo o funcionamento da instituição e sua retirada do Sistema Financeiro Nacional.
- A medida substitui o Regime de Administração Especial Temporária, em vigor desde 18 de novembro de 2025, que visava manter as operações da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento.
- A liquidação foi decretada após a Will Financeira ser liquidada em janeiro, tornando inviável a continuidade do Banco Master Multiplo sob regime especial, conforme relatório final de 12 de março.
- O BC destacou que o banco não captava depósitos do público, reduzindo riscos ao sistema, e que a liquidação extrajudicial é adotada quando a situação é irreversível e não ameaça a estabilidade financeira.
- O BC manterá a indisponibilidade de bens dos controladores e administradores e segue investigando eventuais irregularidades, encerrando o regime e o processo de intervenção no Banco Master Multiplo.
O Banco Central decretou nesta terça-feira, 17 de março, a liquidação extrajudicial do Banco Master Múltiplo, medida que interrompe o funcionamento da instituição e a retira do Sistema Financeiro Nacional.
Segundo a autoridade monetária, a decisão foi tomada depois da avaliação final do Regime de Administração Especial Temporária, o Raet, que já estava em vigor no banco desde novembro de 2025.
Na prática, a liquidação extrajudicial é uma espécie de encerramento forçado da operação, usado quando o Banco Central conclui que a instituição não tem mais condições de seguir funcionando normalmente.
Com isso, o banco deixa de operar, e um liquidante passa a conduzir o processo de administração e pagamento dos credores dentro das regras do sistema financeiro.
Por que o BC tomou essa decisão
Em nota oficial, o Banco Central informou que o prazo do Raet venceria em 18 de março de 2026 e que o relatório do administrador do regime, entregue em 12 de março, concluiu que “não mais subsistem motivos” para manter a intervenção voltada à reorganização do banco.
Segundo o BC, isso ocorreu depois da liquidação extrajudicial da Will Financeira, controlada do conglomerado, decretada em janeiro.
Em termos simples, o que o BC está dizendo é que a tentativa de reorganizar o Banco Master Múltiplo perdeu a finalidade original. Como a Will Financeira era peça central nessa estratégia, a autarquia entendeu que não fazia mais sentido manter o regime especial e optou por converter a situação em liquidação extrajudicial. Essa leitura decorre diretamente da nota oficial do BC sobre a mudança de regime.
O Banco Central também nomeou a EFB Regimes Especiais como liquidante do Master Múltiplo. A empresa já atua na liquidação de outros braços do conglomerado, segundo veículos que repercutiram a decisão nesta terça-feira.
O que acontece agora com o banco
Com a liquidação, a instituição entra formalmente em um processo de encerramento supervisionado. Isso significa que a prioridade passa a ser levantar ativos, organizar passivos e seguir a ordem legal de tratamento dos credores.
O próprio Banco Central mantém uma base pública para consulta de instituições que estão em liquidação extrajudicial, intervenção ou regimes especiais.
A decisão também se soma a uma crise mais ampla envolvendo o antigo conglomerado Master. Nos últimos dias, a Reuters informou que Daniel Vorcaro, controlador do grupo, virou alvo de investigações criminais e permaneceu preso por decisão do STF, enquanto o caso continuou produzindo efeitos financeiros e políticos.
A mesma agência já havia relatado que o Banco Master enfrentava problemas graves de liquidez antes da liquidação e que o colapso do grupo gerou impacto até em instituições relacionadas, como o BRB.
O ponto mais didático é este: a liquidação do Banco Master Múltiplo não é uma simples troca de gestão. Ela representa o reconhecimento formal, pelo Banco Central, de que o banco não seguirá operando e agora passa a existir apenas dentro do processo de encerramento e acerto de contas com o mercado.
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