- Bradesco tenta barrar o IPO da Compass para forçar negociação de melhores termos na recuperação das dívidas da Raízen, controlada por Cosan e Shell.
- Raízen entrou com pedido de recuperação extrajudicial no início de março, listando débitos de cerca de R$ 65 bilhões; Bradesco é um credor relevante, com mais de R$ 2 bilhões a receber.
- O veto do Bradesco envolve a necessidade de um aval para a reestruturação societária da Compass, o que pode inviabilizar o IPO.
- A Cosan, sócia da Compass, prefere manter o IPO da Compass, com recursos voltados ao caixa da Cosan, e não para a Raízen, segundo fontes.
- Existem ainda estratégias alternativas, como a Cosan comprar ações do Bradesco BBI na Compass, mas a janela de mercado é contestada por instabilidade externa e pode atrasar o processo.
O Bradesco trava a aprovação da oferta pública inicial da Compass, para pressionar uma reestruturação de dívidas da Raízen. A operação envolve Cosan e Shell como principais acionistas da Raízen, que enfrenta um pedido de recuperação extrajudicial.
A Compass trabalha com aCosan Dez, veículo da Cosan, e o Bradesco tem participação na Compass. O banco exige que a reestruturação societária receba aval para o IPO seguir adiante, sob risco de inviabilizar a transação.
O pedido de recuperação da Raízen soma débitos estimados em 65 bilhões de reais. O Bradesco figura entre os credores, com mais de 2 bilhões a receber, segundo informações de mercado.
A Cosan e a Shell sinalizaram que a recuperação pode envolver aportes significativos para estabilizar a Raízen. O plano apresentado inclui recursos da Shell e compromissos da Cosan, para sustentar a reestruturação.
O mecamismo envolve a possibilidade de guiar a captação da Compass para que parte dos recursos seja destinada à Raízen. O Bradesco sustenta que o grupo Cosan-Raízen deve ter tratamento condizente com a sua importância entre credores.
Fontes próximas à Cosan afirmam que a pressão do Bradesco não tem base para exigir tratamento diferenciado aos demais credores. A posição é de que a transação não pode depender de obrigar a Cosan a usar recursos do IPO para a Raízen.
A Cosan planejava protocolar o IPO da Compass ainda nesta semana, com o montante da oferta voltado à quitação de dívidas da própria Cosan. A estratégia não permitiria destinar recursos ao caixa da Raízen, segundo fontes.
Com a escalada no tema, as relações entre Cosan e Bradesco podem ficar tensas. O banco sustenta a necessidade de defesa diante de movimentos que gerem redistribution de riscos entre credores.
A Compass contratou coordenadores internacionais e nacionais para o IPO, entre eles BTG Pactual, Bank of America, Citigroup, Itaú BBA, JP Morgan, Santander Brasil, XP e Bradesco BBI. O Bradesco detém participação indireta pela Cosan Dez.
O Bradesco mantém 11,5% da Cosan Dez e 4,32% da Compass via Bradesco Vida e Previdência. Sem o IPO, esse investimento pode ficar ilíquido. Uma alternativa seria a Cosan comprar as ações do Bradesco BBI na Compass, porém com prazos estendidos.
Caso o veto persista, há a expectativa de seguir com o IPO da Compass como uma emissão primária, abrindo caixa para a própria Cosan. Investidores privados teriam ainda uma tranche secundária na oferta.
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