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Dono da MSC Cruzeiros compra navios petroleiros

Aponte, com a MSC, financia compras da Sinokor de petroleiros, ampliando controle do mercado e elevando tarifas de frete

O petroleiro Atlantas — que a Sinokor comprou por US$ 70 milhões em janeiro de 2026. — fotografado em 2016 em uma refinaria na Polônia.
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  • A Sinokor Merchant Marine começou a comprar grandes petroleiros em dezembro, com gasto estimado em US$ 2,5 bilhões para 35 navios até o fim de janeiro; em março, o montante subiu para US$ 3,3 bilhões para pelo menos 60 navios.
  • A Forbes apurou que Gianluigi Aponte, bilionário da MSC, seria o verdadeiro comprador de muitos dos navios, com ligações a estruturas panamenhas ligadas a Haut Brion e à MSC Shipmanagement Limited.
  • Ao menos 31 navios estariam sob controle de empresas com o nome Haut Brion, lideradas por Mario Aponte (primo de Gianluigi), registradas no Panamá; outros 20 navios estão ligados a registros na Libéria, dificultando a confirmação da propriedade final.
  • Sinokor e MSC, juntos, controlam 76 superpetroleiros, avaliados em US$ 6,7 bilhões, o que representa cerca de 8% da frota global; há estimativas de participação de até 17% da frota e 39% do mercado spot.
  • A operação ocorre em meio a tarifas recordes motivadas pela guerra no Irã, com contratos de longo prazo em torno de US$ 111 mil por navio por dia e taxas spot próximas a US$ 486 mil por dia, elevando as perspectivas para quem detém o controle das embarcações.

Dono da MSC Cruzeiros, Gianluigi Aponte aparece como articulador por trás da compra maciça de superpetroleiros pela Sinokor Merchant Marine, conforme apurado pela Forbes. A operação ocorre em meio ao aumento das tarifas de transporte de petróleo provocadas pela tensão no Irã, o que beneficia quem detém mais ativos no segmento.

A Sinokor, empresa sul-coreana, iniciou as aquisições ainda em dezembro, focando nos VLCCs, os petroleiros de maior porte. Em janeiro, as compras se intensificaram, elevando a exposição da companhia ao setor de petróleo bruto.

Antes de esclarecer a propriedade final, pesquisas apontaram que a origem dos recursos estaria ligada a Aponte. A Forbes analisou registros no Panamá e no Equasis para identificar estruturas de propriedade, ligando 31 navios a entidades com nomes Haut Brion.

A ligação com o Panamá e a MSC

Entre as 31 entidades ligadas aos navios, 11 estão registradas no Panamá, com Mario Aponte como presidente, atuando como primo de Gianluigi. Essas estruturas compartilham sede em Chipre, o mesmo endereço utilizado pela MSC Shipmanagement Limited, responsável pela gestão.

Outros 20 navios, avaliados em 820 milhões de dólares, aparecem com registro na Libéria, onde a propriedade final ainda não é confirmada publicamente. A MSC e a Sinokor não comentaram o assunto.

A investigação aponta que 11 das empresas panamenhas aparecem como proprietárias de petroleiros adquiridos pela Sinokor, somando mais de 900 milhões de dólares. O restante dos navios ainda tem proprietários não totalmente revelados.

O tamanho da frota e o papel da MSC

Ao total, Sinokor e a MSC controlam cerca de 76 superpetroleiros, avaliados em 6,7 bilhões de dólares, segundo a Veson Nautical. Isso representa cerca de 8% da frota global do setor, tornando as duas entidades grandes proprietárias.

Especialistas divergem sobre o impacto: há quem estime participação maior, com 17% da frota global e 39% do mercado spot. Analistas ressaltam que o objetivo seria potencialmente influenciar tarifas e condições de mercado.

Em que momento tudo acontece

A operação coincide com a escalada de tarifas de frete causada pela instabilidade regional. Taxas diárias atingiram níveis recordes, com tarifa spot em torno de 485 mil dólares por dia, e contratos de um ano acima de 111 mil dólares por dia, segundo a Veson Nautical.

Um exemplo recente envolve o petroleiro Gabon Prosperity, da Sinokor, que fechou contrato para transportar petróleo no Mar Vermelho a 356,9 mil dólares por dia. Outros navios estariam recebendo até 500 mil dólares diários em armazenagem no Golfo Pérsico.

Panorama e impacto no setor

A operação é vista como uma aposta de longo prazo, com a possibilidade de elevar tarifas através de maior participação de mercado. Some-se a isso a expansão de ativos da MSC, incluindo acordos recentes para comprar portos no exterior, em parceria com BlackRock.

Entre os players que venderam ativos estão Dynacom Tankers, Frontline, Zodiac Maritime, Delta Tankers, Capital Ship Management e TMS Tankers. As vendas renderam centenas de milhões de dólares e impulsionaram fortunas do setor.

Perspectivas e próximos passos

A depender do andamento, a parceria entre Sinokor e MSC pode consolidar a posição de controle sobre o mercado de superpetroleiros. Espera-se que negociações e aquisições continuem, com movimentos estratégicos para ampliar a capacidade de frota.

Analistas sinalizam que o setor permanece vigilante diante de mudanças regulatórias e da volatilidade geopolítica. Enquanto o Irã persiste, as tarifas de frete podem permanecer elevadas, favorecendo conglomerados com grandes ativos.

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