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Guerra no Oriente Médio eleva diesel e atrapalha escoamento de soja no Brasil

Guerra no Oriente Médio eleva diesel e frete, levando tradings a pausar negócios de soja no Brasil e ampliando riscos logísticos e de prejuízo

Custo do frete sobe enquanto o preço da soja cai no Brasil
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  • A guerra no Oriente Médio elevou os preços do petróleo, aumentando os custos de exportação de safras no Brasil, que depende fortemente de caminhões movidos a diesel.
  • Com o Brasil no pico do escoamento da soja, o aumento do diesel tornou o transporte até os terminais mais caro, pressionando a inflação.
  • Traders de commodities teriam suspendido ofertas de soja no Brasil na semana passada devido à volatilidade dos fretes e ao receio de custos elevados a curto prazo.
  • Governos e associações apontam possibilidade de sobretaxas de emergência no frete, já que o diesel representa uma fatia relevante dos custos logísticos.
  • Em março, os preços do diesel vendidos às distribuidoras subiram quase 14% em relação aos oito primeiros dias do mês, enquanto a Petrobras manteve o preço até a sexta-feira anterior. Além disso, pesquisa mostra que 55% da soja no Brasil ainda depende de caminhões para chegar aos portos.

A guerra no Oriente Médio elevou os preços do petróleo, encarecendo o diesel usado no transporte de soja no Brasil. O aumento de custos chega em um momento de pico de escoamento da oleaginosa no país, o que pode pressionar a inflação geral.

Analistas e corretores ouvidos pela Bloomberg News disseram que traders de commodities suspenderam ofertas de soja no Brasil na semana passada, por temores de frete mais caro no curto prazo. O diesel representa uma parcela relevante dos custos, sem hedge para picos de preço.

Para os operadores, a volatilidade do frete aumenta a exposição a perdas, já que contratos fechados com margens estreitas podem virar prejuízo se o frete subir repentinamente. A atividade de traders tem diminuído no Brasil frente a esse cenário.

Impacto no frete e na logística

RoDOVIÁRIA é o principal meio de escoamento da soja para o principal comprador, a China, o que eleva a importância de fretes estáveis. A guerra prolongada pode criar gargalos e levar compradores a diversificar fornecedores, incluindo EUA ou Argentina, conforme especialistas.

Adriano Gomes, analista da AgRural, aponta a necessidade de planejamento pelas empresas para evitar impactos logísticos caso dure mais tempo. A elevações do frete já influenciam decisões de compra e de reserva de cargas para os próximos meses.

Silvio Kasnodzei, presidente do sindicato das transportadoras no Paraná, afirma que o setor pode impor sobretaxas de emergência caso o cenário se agrave. O governo brasileiro já reduziu impostos sobre combustíveis, mas as medidas não eliminam a incerteza do frete rodoviário.

Contexto brasileiro e custos de transporte

Com o aumento da demanda sazonal, caminhoneiros viram o diesel subir no campo ainda sem reajuste oficial da Petrobras no atacado. Nos oito primeiros dias de março, o diesel subiu quase 14% para postos, segundo cálculo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação.

Dados da Universidade de São Paulo indicam que 55% da soja no Brasil depende de caminhões para chegar aos portos, mais do que outros modais. Investimentos em infraestrutura não acompanharam o ritmo de crescimento da produção, elevando o custo de transporte.

Rodadas de negociação e reservas feitas por traders para maio podem ficar comprometidas caso o frete aumente, o que transforma operações lucrativas em potenciais prejuízos. O panorama permanece sob pressão de custos e de volatilidade externa.

Fonte: Bloomberg News, com apoio de goFlux e Cepa.

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