- O Tesouro cancelou leilões regulares de títulos indexados à inflação e prefixados e realizou operações fora do calendário que somaram cerca de R$ 36,6 bilhões em dois dias.
- É a primeira intervenção com recompra desde dezembro de 2024, com o objetivo de manter liquidez e estabilizar as negociações ante o estresse nos mercados globais.
- Em dois dias, o Tesouro recomprou 12,6 milhões de LTNs; no dia anterior foram comprados 17,25 milhões de LTNs e 3,55 milhões de NTN-B; na terça-feira houve venda, mas não ocorreu aceitação de propostas, e na segunda-feira foram vendidos 150 mil NTN-B.
- Os contratos futuros de juros recuaram ao longo da curva na segunda e na terça, após a alta dos preços do petróleo sugerir impactos da guerra no Oriente Médio sobre as perspectivas para a política monetária.
- Analistas apontam que o cenário forçou investidores a recalibrar posições, com alguns eliminando apostas de queda de juros; a possibilidade de aumento da Selic foi reduzida, com expectativa de 0,25 ponto percentual ou manutenção em 15%.
O Tesouro Nacional voltou a atuar no mercado local de títulos, elevando a intervenção pela segunda sessão consecutiva. Foram anunciados novos leilões de recompra e de venda de dívida pública para sustentar liquidez e conter a volatilidade, em meio ao choque gerado pela alta do petróleo nos mercados globais. As operações foram feitas fora do calendário e somaram cerca de 36,6 bilhões de reais em dois dias de compras de papéis.
A intervenção ocorre após um episódio de estresse recente, com forte queda de liquidez e deslocamento da curva de juros, desencadeado pela escalada de tensões no Irã e pelo aumento da aversão a risco. O movimento visa recompor a liquidez sem incentivar desequilíbrios contábeis elevados no curto prazo.
Na contabilidade das operações, o Tesouro recomprou 12,6 milhões de títulos prefixados LTN na terça-feira, após aquisições anteriores de 17,25 milhões de LTNs e 3,55 milhões de NTN-Bs. Também chegou a oferecer venda de títulos na terça, sem aceitar propostas, e na segunda-feira vendeu 150 mil NTN-Bs. A soma das ações mostra uma tentativa de acalmar o mercado.
Para o analista Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Pine, o movimento reflete a deterioração do ambiente global e o dissonante afastamento entre preços e fundamentos domésticos. O efeito foi, segundo ele, de reduzir a pressão de quedas abruptas na curva de juros. A reação do Tesouro, na visão dele, foi positiva.
Milena Landgraf, sócia da Jubarte Capital, ressaltou que a atuação do Tesouro foi saudável e importante para a recuperação da liquidez e para a normalização das negociações. Ela destacou que intervenções desse tipo ajudam a reduzir a vulnerabilidade a choques externos. Os contratos futuros de juros recuaram ao longo da curva.
O que mudou no cenário de juros? Os juros futuros negociados na B3 recuaram, com os contratos de vencimento de janeiro de 2029 operando próximo de níveis pré-disparada. Analistas apontam que o petróleo elevado ante o conflito regional pode manter volatilidade até decisões de política monetária.
Contexto e expectativas
A alta do petróleo alimenta incertezas sobre a trajetória da Selic antes da decisão do Banco Central, prevista para quarta-feira. Enquanto alguns operadores consideravam início de ciclo de cortes de 0,50 ponto, o cenário passou a sinalizar cortes menores ou manutenção da taxa de 15% ao ano, nível recorde em duas décadas.
Segundo Vital, da Warren Investimentos, parte dos investidores ajustou posições com receio de perdas maiores diante da pressão de saída conjunta. Ele ressaltou que a liquidez pode ficar restrita quando muitos agentes tentam sair ao mesmo tempo. As informações são provenientes de dados do Tesouro Nacional e de entrevistas com especialistas.
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