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Crise da Raízen expõe limites do ciclo de investimentos em etanol

Crise da Raízen expõe limites do ciclo de investimentos em etanol, com reestruturação de dívida de R$ 65 bilhões e potencial diluição da Cosan

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  • Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, busca reestruturação de dívida de cerca de R$ 65 bilhões (US$ 12,3 bilhões).
  • Cosan saiu das negociações sobre aporte de capital e pode ver sua participação diluída após discordâncias sobre dividir o negócio de distribuição da unidade de etanol.
  • O Brasil continua entre os maiores produtores de etanol, mas o setor enfrenta mudança de cenário, com menos apetite por grandes investimentos.
  • Etanol de milho ganha espaço no Brasil, e a Vibra encerrou parceria com a Copersucar; a participação do etanol de milho pode chegar a 28% nesta temporada, ante 21% no ano anterior.
  • Especialistas dizem que o setor está pronto para crescer, mas não como no passado, com competição entre etanol de cana e milho ganhando força a partir de 2026.

A Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, enfrenta crise de crédito que levou a uma reestruturação da dívida de cerca de R$ 65 bilhões (US$ 12,3 bilhões). O acordo ocorreu na semana anterior, sinalizando mudanças na parceria entre o grupo estrangeiro e o fabricante brasileiro.

A Cosan participou das negociações, mas retirou-se de uma possível injeção de capital. A depender de tratativas, a participação da Cosan na Raízen pode ser diluída, sobretudo por discordâncias sobre o gerenciamento do negócio de distribuição de combustível.

O contexto brasileiro mostra que o etanol enfrenta desafios estruturais. O país é o segundo maior produtor global, atrás dos EUA, e a queda da Raízen evidencia o desaquecimento de grandes investimentos no setor.

Ao mesmo tempo, o setor sofre com a entrada de etanol de milho no Brasil, pressionando preços internos e reduzindo o espaço para o etanol de cana. Exportações não acompanham o ritmo necessário para equalizar a oferta.

Mercados internacionais também influenciam o cenário. Tarifas nos EUA, restrições na União Europeia e mudanças regulatórias reduzem a demanda externa pelo biocombustível brasileiro.

Relatórios apontam que o etanol de milho vem ganhando participação, enquanto a Raízen enfrentava custos elevados. Em 2021, a Louis Dreyfus vendeu a Biosev para a Raízen; três anos depois, a Bunge deixou a joint venture com a BP.

Especialistas observam que grandes petrolíferas mostram menos interesse em ampliar portfólios de energias renováveis. O setor pode manter crescimento, porém em ritmo menor que o observado no passado.

A participação de etanol nas exportações brasileiras nunca ultrapassou 10% da produção na última década, mesmo com esforços de ampliação de mercados externo. O descolamento entre preço de petróleo e combustíveis locais também impacta as vendas.

Panorama recente e próximos passos

A decisão da Vibra Energia de encerrar a parceria com a Copersucar, anunciada no fim do ano passado, reforça a reconfiguração do setor. A Vibra busca maior espaço para biocombustíveis derivados do milho.

Segundo projeções, o etanol de cana e o de milho deverão concorrer de forma mais intensa em 2026. Usinas devem priorizar o milho em algumas regiões, alterando a composição de matéria-prima.

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