- O empresário Caio Penido criou a SouBeef, marca de carne premium, para agregar valor ao integrar criação, processamento e venda.
- Cerca de vinte por cento da produção já atende à marca; há planos de exportação para Ásia e Oriente Médio, com possível parceria com empresa chinesa.
- A carne é planejada a partir de raças Nelore, Angus e Wagyu; a SouBeef registrou alta de receitas de 281% no último ano e mira rentabilidade em 2027.
- A expansão de abates mira subir de cerca de cento e cinquenta por mês para aproximadamente mil por mês, após a divisão da antiga Fazenda Roncador e foco em Fazendas Pioneira, Darro e Água Viva.
- Além da carne, Penido investe em açaí, turismo rural com hotel-fazenda e planos para cavalos crioulos em São Paulo, com possível inclusão de carne de cordeiro no portfólio.
Caio Penido, empresário responsável pela Agro Penido, revelou à Bloomberg Línea a estratégia de consolidar a marca SouBeef, carne premium, aliada à venda para indústria e à parceria com a SLC na produção de grãos. O foco é ampliar valor agregado em Mato Grosso e Goiás.
A SouBeef nasceu em novembro de 2024 para integrar produção, processamento e venda, buscando carne de alta qualidade certificada. Penido descreve o modelo como uma integração lavoura-pecuária-floresta, com turismo e audiovisual em um único lugar.
A iniciativa envolve cruzamento de raças Nelore, Angus e Wagyu, com foco em nichos premium do mercado interno. Há planos de exportação, sobretudo para Ásia e Oriente Médio, com possível parceria com uma empresa chinesa para destravar esse canal.
Hoje cerca de 20% da produção atende à marca própria. A operação ainda não atingiu o breakeven, mas a expectativa é alcançar rentabilidade em 2027. As receitas de 2023 foram informadas como crescimento de 281% pela SouBeef.
Estrutura e parcerias
A estratégia está centrada inicialmente em São Paulo, com expansão gradual para outros estados. A empresa atende food service, boutiques de carne e plataformas digitais, como Raízs, e prepara um e-commerce próprio. Já há atuação em Trancoso (BA).
Penido também preside o Instituto Mato-Grossense da Carne (Imac). Em cerca de três anos, a produção das fazendas deve privilegiar a marca SouBeef. Nos últimos três anos, Agro Penido e o Grupo SouBeef investiram aproximadamente R$ 156 milhões.
A operação ocorre após a divisão da Fazenda Roncador, no Mato Grosso, herdada pelo avô Pelerson Penido. A área foi repartida entre irmãos, com Caio assumindo parte das terras e da irmã Eduarda.
A unitária Fazenda Pioneira, em parceria com a SLC Agrícola desde 2013, ampliou a área de 20 mil para 38,7 mil hectares até 2024, com projeção de mais de 65 mil hectares até 2027/2028. A Darro, em Querência, soma quase 21 mil hectares, com parte dedicada à agropecuária e conservação.
A Água Viva, em Cocalinho, concentra a produção voltada à SouBeef, com cerca de 5 mil hectares. A gestão do solo inclui correção com calcário e adubação conforme análises de fertilidade.
Perspectivas de crescimento
Penido afirma que o volume de abates de boi ainda está aquém do potencial, com cerca de 150 animais por mês hoje. A meta é chegar a mil abates mensais, aproximadamente 12 mil por ano.
O objetivo de criar a SouBeef é capturar valor na carne, não apenas no animal vendido. A empresa internalizou etapas de desossa e distribuição, buscando maior controle sobre o produto final.
Novas frentes incluem cultivo de açaí, considerado até 10 vezes mais rentável que a soja, com expansão planejada de 5 hectares neste ano para 200 hectares no futuro. Também há planos para turismo rural e um hotel-fazenda na Água Viva, com inauguração prevista para junho.
Entre as futuras possibilidades estão a aquisição de uma propriedade no interior de São Paulo para cavalos crioulos e a inclusão de cordeiro no portfólio. A estratégia de Penido prioriza diversificação e maior agregação de valor ao longo da cadeia.
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