- A Mastercard acumula um passivo bilionário após o colapso do Banco Master, que deixou de pagar varejistas processando cartões do Will Bank, fintech da instituição.
- O total de cobranças pendentes chegava a até R$ 5 bilhões; a Mastercard liquidou cerca de metade desse valor nos primeiros 30 dias após a liquidação.
- A empresa busca reembolso do montante pago pelos clientes do Will Bank junto ao liquidante nomeado pelo Banco Central.
- O Will Bank foi adquirido pelo Banco Master em 2024 e tinha foco em crédito para a população de baixa renda; ativos como ações do BRB e da Westwing foram oferecidos como garantia à Mastercard.
- Regulamentação recente do Banco Central clarifica responsabilidades sobre garantias de redes de cartões em caso de inadimplência, embora executivos da Mastercard digam que ainda não deveria se aplicar imediatamente.
A Mastercard enfrentou um impacto bilionário após a falência do Banco Master, que deixou a operadora responsável pelos cartões emitidos pela fintech Will Bank no centro de pagamentos pendentes. Segundo fontes próximas ao assunto, a empresa já liquidou parte das cobranças e busca reembolso junto ao liquidante nomeado pelo Banco Central.
Titulares de cartões do Will Bank tinham até R$ 5 bilhões em cobranças pendentes nos cartões da fintech. A Mastercard liquidou cerca de metade desse valor nos primeiros 30 dias após a liquidação do Banco Master, conforme apurado por pessoas envolvidas nas conversas.
A instituição afirma ter enviado os pagamentos conforme os regulamentos vigentes e agora espera que o liquidante transfira o dinheiro pago pelos clientes. Um representante do Banco Central, que nomeou o liquidante, não respondeu ao pedido de comentário.
Contexto regulatório
O Banco Central determinou novas regras sobre a responsabilidade pelas garantias oferecidas pelas redes de cartões em caso de inadimplência. Executivos da Mastercard alegam que a adoção da norma ainda não é obrigatória, pois o prazo para implementação vai até maio.
O Will Bank foi adquirido pelo Banco Master em 2024 e atuava com foco em cartões de crédito para a população de baixa renda. As ações da Mastercard vinculadas ao BRB e à Westwing aparecem entre os ativos usados para compensar custos, em especial por meio de garantias cedidas pelo Banco Master.
A empresa já recebeu parte de ações do BRB, chegando a possuir 6,9% do capital do credor. Algumas dessas ações já teriam sido vendidas, conforme fontes familiarizadas com o tema. O colapso do Banco Master ocorreu em novembro, envolvendo acusações de fraude e medidas de cooperação com autoridades brasileiras.
Desdobramentos
Nas semanas após a liquidação, os adquirentes comerciais no Brasil contestaram a extensão da responsabilidade da Mastercard para além dos 30 dias iniciais de saldos não pagos. A rede sustenta que já cumpriu o essencial, restando a transferência do montante relativo aos pagamentos efetuados pelos clientes.
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