- A crise de moradia na Europa atinge pontos críticos: salários não acompanham os custos e as soluções da UE enfrentam regras nacionais.
- A Comissão europeia planeja investir mais de €43 bilhões até 2027 para ampliar oferta, aumentar investimentos e enfrentar aluguéis de curto prazo.
- Entre 2015 e 2024, os preços de casas subiram 60,5% e os aluguéis 28,8%; a proporção de famílias que possuem imóvel caiu para 68%.
- Luxemburgo registra o maior preço por metro quadrado (entre €8.000 e €9.000); aluguéis variam de €800 a €2.500 em cidades grandes.
- Cerca de 40% da renda mensal de moradores de grandes cidades vai para moradia; 1 em cada 10 não consegue pagar aluguel; 30% de quem tem 25 a 35 anos ainda mora com os pais; plano europeu de moradia acessível e cúpula da UE buscam solução coordenada.
A crise habitacional na Europa atingiu um ponto crítico, com salários abaixo da escalada de custos. Soluções em nível europeu esbarram em regras nacionais, segundo dados coletados pela Euronews. A Comissão propõe investir mais de €43 bilhões até 2027, mas o problema persiste.
Os preços imobiliários subiram 60,5% desde 2015 e os aluguéis, 28,8%. Em 2024, a taxa de propriedade caiu para 68%, abaixo de 69% em 2023 e 70% em 2020. Luxemburgo registra os valores mais altos por m², entre €8.000 e €9.000.
Os custos de moradia variam bastante: aluguel mensal de €800 em Budapeste a €2.500 em Amsterdã. Em grandes cidades, residentes destinam mais de 40% da renda familiar para moradia; 10% não conseguem pagar o aluguel em dia.
Em cidades com renda mais baixa, como Barcelona e Roma, a moradia absorve cerca de €1.300 de uma renda líquida de €1.900, o que dificulta a poupança. Cerca de 30% dos jovens entre 25 e 35 ainda moram com os pais.
Especialistas apontam a financeirização de imóveis, o aumento de arrendamentos de curto prazo e a oferta restrita de moradias como fatores contributivos. A Comissão Europeia lançou, no ano passado, o Primeiro Plano Europeu de Habitação Acessível.
Mudanças em curso
A estratégia prevê aumento de oferta, maior investimento e atuação sobre o curto prazo de locação. A assinatura de uma cimeira inédita de chefes de Estado sobre moradia deve ocorrer ainda neste ano para buscar uma solução integrada.
O plano de habitação acessível deve entrar em ações-chave já em 2026, conforme anunciado pela Comissão. A iniciativa visa alinhar esforços entre os países da UE sem prejuízo de regras nacionais.
A União Europeia afirma buscar dados e investimentos para facilitar o acesso à moradia, reduzir disparidades regionais e incentivar projetos de longo prazo. O objetivo é reduzir a pressão sobre famílias e jovens em condições econômicas desfavoráveis.
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