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Portugal caminha para declarar crise energética com alta nos preços do gás

Portugal se aproxima do limiar de crise energética devido ao aumento do gás, aguardando decisão da União Europeia para aplicar medidas de proteção

Portugal close to energy crisis: when can it be applied?
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  • Portugal está perto de cumprir os critérios da UE para declarar uma crise energética devido ao aumento dos preços do gás e de combustíveis, conforme a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
  • A declaração depende de decisão do Conselho da UE e de informar a Comissão Europeia, dentro do novo enquadramento regulatório da UE (Diretiva 2024/1788) para gás renovável, gas natural e hidrogênio.
  • A UE também prevê, em caso de crise, permitir o congelamento ou ajuste de preços da eletricidade abaixo do custo, desde que haja compensação aos fornecedores e não haja distorção de concorrência (Diretiva 2024/1711).
  • Em Portugal, o gás natural preocupa pela elevação de preços, cerca de 85% acima de antes da guerra, enquanto a eletricidade permanece mais protegida por cerca de 80% da produção vinda de energias renováveis.
  • O governo divulgou um quadro de medidas temporárias para consumidores e empresas em situação de crise energética, com possibilidade de limitar preços, mas as autoridades destacam que o país ainda não atingiu os limiares da UE.

Portugal está próximo de cumprir os critérios europeus para declarar uma crise energética, em meio ao aumento de preços de gás e combustíveis. O anúncio foi feito pela ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, que destacou a possibilidade de uso de medidas de proteção a famílias e empresas caso a situação seja confirmada.

A norma da UE permite que o Conselho declare uma crise de preço de gás natural, regional ou europeia, por meio de decisão coletiva. Os gatilhos incluem preços médios de gás de atacado acima de 2,5 vezes a média dos últimos cinco anos e não inferiores a 180 €/MWh, ou alta acentuada de preços no varejo.

Carvalho afirmou que, se esses patamares forem atingidos, o Conselho de Ministros deve chegar a uma resolução e a Comissão Europeia deve ser informada, com possível envolvimento do Conselho Europeu. A decisão depende de avaliação dos números em curso.

Um regime paralelo, a Diretriz 2024/1711, prevê permitir que Estados temporariamente fixem preços regulados da eletricidade abaixo do custo durante crises de preço, desde que haja compensação aos fornecedores e sem distorções de concorrência.

Ambas as diretrizes baseiam-se em critérios de crise fundamentados no preço, não apenas no fornecimento. Portugal, portanto, acompanha os números e aguarda decisão do Conselho antes de atuar no nível de preços.

Segundo Carvalho, a declaração de crise energética é um mecanismo europeu que possibilita medidas excepcionais para proteger famílias e empresas, sem implicar, necessariamente, em escassez de suprimento. Serve para mitigar choques de preço.

A possibilidade de declaração foi levantada após o governo aprovar, recentemente, um conjunto de medidas para situações de crise envolvendo consumidores e empresas. As ações são temporárias e visam evitar fragmentação do mercado interno.

O Ministério da Presidência, responsável pela comunicação, informou que as medidas podem incluir a limitação de preços, com ajuste conforme a evolução do cenário. Entretanto, o governo ressaltou que ainda está longe de alcançar os limites da UE.

No dia seguinte, o Ministério do Ambiente e Energia esclareceu que, se houver declaração de crise, ela se aplica apenas ao gás natural. O preço do gás apresenta deterioração acentuada, com elevação significativa causada por interrupções na oferta e tensões geopolíticas.

Em contrapartida, a eletricidade aparece mais protegida, já que cerca de 80% da geração pode vir de fontes renováveis. O ministério informou que, por ora, os preços da eletricidade estão relativamente protegidos.

Historicamente, Portugal já acionou o conceito de crise energética, como ocorreu após o apagão no Iberia em 2024, quando o governo declarou crise para assegurar suprimentos prioritários e coordenação operacional.

A UE tem pressionado os Estados-membros a reabastecer rapidamente os estoques de gás, diante de riscos de novas sustos de preço. Com isso, a segurança de fornecimento permanece sob vigilância, apesar de a dependência de importações de gás em LNG variar entre os membros.

Especialistas apontam que reduzir a demanda pode ser uma das estratégias mais eficazes para conter preços, incluindo medidas como teletrabalho, uso reduzido de viagens de avião, restrição de velocidade e incentivo ao transporte público.

No âmbito internacional, a Agência Internacional de Energia alerta para riscos econômicos globais caso a escalada dos preços persista, sugerindo medidas de consumo consciente e mudanças de uso, sem intervenção direta de preços pelo governo.

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