- O conflito com o Irã elevou preços de energia e pediu impactos à atividade econômica da zona do euro, gerando o mais aguçado quadro de estagflação em anos.
- O composite PMI da zona do euro caiu para 50,5 em março, abaixo de fevereiro e do consenso, sinalizando perda de impulso.
- Custos de insumos subiram na taxa mais rápida desde fevereiro de 2023, empurrados por energia, combustíveis e frete marítimo.
- Sinal de estagflação forte: inflação de preços pode acelerar próximo a três por cento, complicando a leitura da política do Banco Central Europeu.
- Alemanha mostrou continuidade de expansão na manufatura, mas serviços desaceleraram; França entrou em contração em março, elevando preocupações sobre demanda e volatilidade macro.
O conflito entre Irã e o Ocidente elevou o custo de energia na Europa, gerou queda na atividade e aumentou a pressão inflacionária, segundo dados de PMI divulgados nesta semana. A combinação de inflação em alta e crescimento fraco aponta para cenário de stagflation na zona do euro.
Relatórios de leitura rápida do S&P Global indicam que a atividade na zona do euro ficou mais fraca em março, com o índice composto marcando 50,5. A leitura ficou abaixo da de fevereiro (51,9) e da previsão (51,0). O endurecimento de custos de insumos foi o motor da inflação.
O aumento dos preços de energia, custos com combustível e interrupções no transporte marítimo elevaram o ritmo inflacionário, segundo o PMI. Tempos de entrega mais longos e dificuldades de abastecimento acentuaram a pressão para as empresas da região.
A leitura também sugere deterioração das expectativas de produção futura, com a maior queda desde a invasão da Ucrânia, em 2022, segundo analistas da S&P Global. A expansão do PIB no primeiro trimestre pode ficar pouco acima de 0,1% em base trimestral.
A inflação ao consumidor pode acelerar rumo a 3%, o que complica a atuação do Banco Central Europeu (BCE) exatamente em um momento crítico de política monetária. A leitura dos preços acende alerta entre autoridades e mercado.
Na prática, a atividade de serviços puxou a desaceleração, com demanda fraca e maior incerteza. Novos pedidos recuaram pela primeira vez em oito meses, enquanto a manufatura mostrou resistência moderada.
As condições logísticas também se deterioraram. Empresas relataram atrasos generalizados na entrega de insumos, ligados a pressões na cadeia de suprimentos e ao aumento de custos de frete.
Na Alemanha, a atividade manteve expansão, com o PMI composto em 51,9, menor que em fevereiro. A manufatura registrou alta de 51,7, chegando a um patamar de quatro anos, impulsionada por compras adiantadas para evitar interrupções.
Entretanto, serviços alemães mostraram fraqueza, com demanda reduzida e pressões de custo. A combinação preocupa, pois aponta para efeitos limitados de um que consegue equilibrar o cenário externo.
Na França, o quadro é mais desfavorável. O PMI composto ficou em 48,3, abaixo do esperado, sinalizando contração. Manufatura e serviços recuaram, com o setor de serviços registrando a maior queda desde outubro de 2025.
A demanda externa pela França também caiu, ampliando as preocupações sobre capacidade de recuperação. Analistas destacam que a inflação tem com componente de custos elevado, pressionando margens de empresas.
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