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Petrobras reage a alta de combustíveis e eleva risco de escassez de diesel

Petrobras baixa preços de diesel, pressionando importadores e elevando risco de escassez; Governo revisa impostos e subsídios para conter inflação

Governo reduziu impostos federais sobre a importação e venda de diesel, além de introduzir uma taxa sobre as exportações petróleo para compensar a perda de receita (Foto: Maira Erlich/Bloomberg)
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  • A Petrobras vende diesel abaixo dos preços internacionais, pressionando importadores e reduzindo a entrada do combustível no país.
  • Com esse cenário, há risco de esgotamento de estoques de diesel em cerca de três meses, se os preços internos permanecerem baixos frente à paridade externa.
  • O governo Lula reduziu impostos federais sobre importação e venda de diesel e criou uma taxa sobre exportações de petróleo para compensar a perda de receita.
  • A Petrobras afirma não haver risco de escassez de combustível, enquanto a ANP aponta risco “excepcional” de abastecimento e surgem preocupações com possibilidade de greve de caminhoneiros.
  • Os preços do diesel no atacado estão 65% abaixo da paridade internacional, e os da gasolina, 45% abaixo, segundo a Abicom.

A Petrobras vem atuando para conter a inflação de energia associada à guerra no Oriente Médio e ao ano eleitoral no Brasil. A estatal passou a vender diesel abaixo dos preços internacionais, o que pressiona importadores e reduz as entradas do combustível no país. A medida aumenta a possibilidade de queda acentuada de estoques.

A checagem de preços mostra que o diesel no atacado pela Petrobras está 65% abaixo da paridade internacional, conforme a Abicom. Já a gasolina registra desconto de 45%. A tendência é acompanhada por medidas do governo para reduzir impostos e criar subsídios, para atenuar impactos aos consumidores.

O governo federal reduziu impostos federais sobre a importação e venda de diesel e criou taxa sobre exportações de petróleo para compensar perda de receita. A ideia é manter tarifas mínimas de frete, ainda que haja preocupação com uma possível greve dos caminhoneiros.

Magda Chambriard, CEO da Petrobras, afirmou que não há risco de escassez de combustível e que a empresa não repassará volatili­dades de preço para o mercado. A direção da estatal mantém o foco na produção interna como parte da estratégia desde o início do governo Lula.

Analistas ouvidos pelo mercado destacam que a combinação de subsídios e preços praticados pela Petrobras pode criar o “pior dos dois mundos”. O risco é de que, se os preços continuarem altos por mais tempo, haja ameaça de desabastecimento.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) emitiu nota técnica advertindo para um risco excepcional de abastecimento, citando sinais de dificuldades de fornecimento, sobretudo de diesel em algumas regiões. A pandemia de petróleo e as sanções internacionais ampliam a volatilidade.

Especialistas apontam que a pressão para conter preços reduz margens de lucro da Petrobras e eleva a percepção de risco entre investidores sobre a posição da empresa. A atuação governamental é vista como intervenção que pode desequilibrar mercados.

Caminhoneiros já sinalizam mobilizações caso haja variação brusca de preços do diesel. Em meio à conjuntura, economistas destacam que a incerteza impacta as expectativas de inflação, especialmente nos setores de alimentos e transporte.

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