- Economista Zeina Latif afirma que medidas para suavizar preços de combustíveis são legítimas, mas não podem interferir na política de preços da Petrobras.
- Ela diz que é natural governos tentarem reduzir a trajetória dos preços, mas o orçamento não pode servir para conter o ajuste de preços da estatal.
- Riscos de desabastecimento aparecem se os preços permanecerem artificialmente baixos, já que o Brasil importa diesel entre 20% e 30% do consumo.
- Importadores podem deixar de comprar quando a Petrobras mantém preços baixos, tornando o produto caro e elevando o risco de falta em regiões.
- Decisões de curto prazo podem afetar investimentos de longo prazo; estudo cita que o orçamento previa um barril a US$ 65, hoje em torno de US$ 100, o que aumenta a arrecadação, mas não deve justificar frear os preços da Petrobras.
A entrevista aborda a proposta do governo para estabilizar o preço do diesel. Zeina Latif, economista e sócia-diretora da Gibraltar Consulting, afirma que medidas para suavizar a trajetória dos combustíveis são legítimas, mas não podem interferir na política de preços da Petrobras.
Segundo Latif, é comum governos buscarem alívios temporários por meio de descontos ou redução de tributos. No entanto, esse tipo de instrumento não deve servir para conter o ajuste de preços praticados pela estatal, para evitar distorções no mercado.
Riscos de desabastecimento
Latif alerta para os perigos de manter preços artificialmente baixos. O Brasil depende de importação de diesel, em patamar entre 20% e 30%. A economia aponta que o importador pode deixar de importar se os preços da Petrobras estiverem artificialmente baixos.
Isso pode gerar falta de combustível em várias regiões, conforme a especialista. A recomendação é permitir que haja flutuação no preço da Petrobras, para não sinalizar aos importadores um cenário inadequado.
Impactos nos investimentos
A economista destaca impactos de longo prazo de decisões de curto prazo. Medidas emergenciais podem comprometer regras que influenciam decisões de investimento no país, segundo Latif.
Ela cita estudo de Manuel Pires, que aponta que o orçamento considerava um barril de petróleo a 65 dólares, enquanto o preço atual fica próximo de 100 dólares. Nessa conjuntura, haveria aumento de arrecadação para o governo.
Se houver uso dessa arrecadação para compensation, a medida é aceitável, desde que não sirva para conter os preços da Petrobras.
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