- Um estudo do McKinsey Global Institute afirma que a guerra de tarifas de 2025 não matou o comércio global; o comércio cresceu mesmo com tarifas altas.
- As trocas entre Estados Unidos e China caíram em torno de trinta por cento, com cerca de US$ 130 bilhões em exportações chinesas para os EUA sumindo; o déficit externo da China permaneceu em patamar recorde, enquanto a produção chinesa se reorientou para outros mercados.
- O comércio impulsionado pela inteligência artificial foi o principal fator de crescimento, respondendo por cerca de um terço do aumento do comércio mundial; chips, servidores e equipamentos de centros de dados tiveram alta demanda.
- A União Europeia viveu um “aperto duplo”: déficit com a China aumentou, e o superávit com os EUA recuou; exportações de automóveis para os EUA caíram, operações com a China também recuaram, enquanto veículos elétricos chineses cresceram na Europa.
- A UE buscou diversificação: acordos com Mercosul, Índia e Austrália para reduzir a dependência de Washington e de Beijing, com mercados emergentes oferecendo caminhos de longo prazo.
O relatório do McKinsey Global Institute, divulgado este mês, analisa a guerra comercial de 2024 e seu impacto. Apesar das tarifas em níveis inéditos desde a Segunda Guerra, o comércio global cresceu junto com a economia mundial. Importações dos EUA e exportações da China atingiram recordes.
O estudo mostra que o leilão de tarifas alterou fluxos, mas não provocou o colapso do comércio. Houve queda de quase 30% no comércio entre EUA e China e perda de cerca de US$ 130 bilhões nas exportações chinesas para o país, segundo Tiago Devesa, um dos autores.
A maior mudança ocorreu nas relações entre EUA e China, com a intensificação de compras em outras regiões. Países do Sudeste Asiático cresceram em participação, especialmente Vietnã, Tailândia e Malásia, absorvendo cadeias de suprimentos deslocadas da China.
Enquanto isso, a Índia assumiu papel relevante, ampliando exportações de smartphones para os EUA, mesmo com a redução nas compras chinesas. O déficit da balança dos EUA com a China caiu, mas o redirecionamento deslocou déficits para Vietnã e Taiwan, aponta o estudo.
No agregado, o comércio relacionado a inteligência artificial ganhou força, impulsionando o crescimento global. Chips, servidores e equipamentos de rede passaram a responder por boa parte das vendas, com forte demanda acelerada por grandes empresas de tecnologia.
O relatório também analisa o papel da União Europeia, que sofreu aperto com a desaceleração de exportações, aumento de importações da China e menor superávit com os EUA. Os setores automotivo e de componentes foram os mais impactados.
A UE passou a buscar diversificação de parceiros, com acordos recentes. Em janeiro, pactos com a Índia e o Mercosul foram anunciados, além de um acordo com a Austrália, buscando reduzir a dependência de Washington e Pequim.
Devesa ressalta que o crescimento impulsionado pela IA tende a sustentar padrões de comércio por anos, mesmo diante de mudanças políticas. As negociações com Mercosul e Índia são vistas como movimento estratégico de longo prazo.
Observa-se que os acordos com Mercosul e Índia representam menos de 8% do comércio externo da UE hoje, exigindo tempo para ampliar participação. As medidas são descritas como políticas de seguro de longo prazo, não remédios imediatos.
Entre na conversa da comunidade