- O Bitcoin caiu para cerca de US$ 65.949, caindo 4,4% na sexta-feira, o menor nível desde 2 de março.
- A queda é atribuída ao cenário macro com reflexos da guerra no Oriente Médio e ao aumento do petróleo, que impacta juros.
- Investidores acompanham saídas de ETFs de Bitcoin e Ethereum e ajustes de tesouraria das empresas, sinalizando menor demanda institucional.
- A leitura técnica aponta faixa entre US$ 65 mil (suporte) e US$ 75 mil (resistência), com possível recuo para US$ 60 mil no curto prazo.
- Em perspectiva de seis meses, cenários variam: alta até cerca de US$ 173 mil ou recuo a US$ 43–54 mil; no fim do ano, provável entre US$ 130 mil ou US$ 54 mil.
O Bitcoin recuou para cerca de US$ 65,9 mil nesta sexta-feira, 27, operando abaixo de US$ 70 mil pela primeira vez nas últimas semanas. A cotação atual representa o menor nível desde 2 de março. Em reais, a criptomoeda está em torno de R$ 354,8 mil, segundo o Portal do Bitcoin.
O recuo é visto como reflexo do ambiente macro global, com a guerra no Oriente Médio impactando o comércio de petróleo e aquecendo as expectativas de alta de juros. O setor de criptomoedas acompanha o movimento dos mercados acionários, que exibem perdas neste pregão.
Perspectiva de juros e impacto no mercado
O time de Research do MB observa que o petróleo em alta alimenta inflação, elevação de juros e queda da atividade econômica, o que tende a pressionar ativos de risco. Rendimentos mais altos tornam títulos mais atraentes, reduzindo a demanda por criptomoedas.
Antes do conflito se agravar, havia expectativa de redução gradual dos juros pelo Federal Reserve, com a taxa Basic entre 3,75% e 3,5%. A intensificação dos conflitos derrubou esse cenário, ampliando o ceticismo sobre o timing de cortes.
Fatores regulatórios e saída de capitais
O MB aponta ainda saídas de ETFs de Bitcoin, com US$ 70 milhões nos últimos quatro dias, e de Ethereum, com US$ 158 milhões, sinalizando menor demanda institucional no curto prazo. Empresas com tesouraria em Bitcoin também reduziram compras.
No âmbito regulatório, a Coinbase voltou a reluctantar o apoio à Lei Clarity, marco regulatório em discussão nos EUA. Analistas destacam o atrito entre bancos e emissores de stablecoins como um principal entrave regulatório recente.
Cenários para o Bitcoin no curto prazo
Segundo o MB, o Bitcoin está operando entre apoio de US$ 65 mil e resistência de US$ 75 mil. No curto prazo, pode haver movimento rumo ao próximo suporte próximo de US$ 60 mil, influenciado por fatores macro.
Em termos de volatilidade, os gráficos semanal e diário indicam condições de sobrevenda, o que pode abrir espaço para valorização após as recentes correções. O andamento dependerá das novas leituras sobre o conflito e da atuação de política monetária.
Perspectivas de médio a longo prazo
Para os próximos seis meses, o MB aponta quatro cenários distintos: alta até US$ 173 mil, caso haja impulso agressivo; ou cerca de US$ 130 mil em cenário mais conservador. Em caso de correção, o preço poderia recuar para US$ 54 mil, com um piso potencial de US$ 43 mil.
As projeções mais prováveis para o fim do ano, segundo os analistas, ficam entre a renovação da máxima histórica em torno de US$ 130 mil e a possibilidade de recuo até US$ 54 mil. O indicador MVRV é utilizado para fundamentar as leituras de valor relativo do Bitcoin diante do histórico de preço.
Observação sobre dados e metodologia
A análise emprega o MVRV, que compara o valor de mercado com o preço de aquisição ao longo do tempo. O indicador ajuda a identificar momentos de sobrevalorização ou subvalorização, servindo como guia para potenciais movimentos de mercado.
A leitura atual sugere uma combinação de fatores macro e micro. Enquanto o cenário geopolítico impõe cautela, investidores de longo prazo seguem acumulando Bitcoin, conforme contabilizado pelo MB.
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