- A alta do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, eleva custos da construção civil e pode impactar o Minha Casa Minha Vida e o PAC.
- Empresas do setor já reajustaram preços e apontam risco de falta de materiais, com o barril acima de US$ 100.
- O PVC, usado na construção, deve sofrer impacto direto, já que a resina brasileira tem produção monopolizada e importadores dos EUA enfrentam tarifas.
- A dificuldade de encontrar fornecedores alternativos no exterior, aliada ao aumento do imposto de importação da resina, aumenta a vulnerabilidade do setor.
- O governo foi questionado sobre estratégias para manter a meta de entregar 3 milhões de moradias do Minha Casa Minha Vida, mas não houve resposta divulgada até o momento.
A alta do petróleo resulta em efeito direto sobre programas de moradia populares, como o Minha Casa, Minha Vida, e o PAC, ampliando custos de insumos e de transporte para o setor da construção. Com o barril acima de US$ 100, empresas brasileiras já ajustam preços para acompanhar a nova realidade do mercado global.
Segundo especialistas, a pressão do câmbio e a dependência de derivados do petróleo atingem a produção de materiais usados na construção, em especial tubos de PVC. Esse cenário aumenta o risco de atraso ou paralisação de obras, inclusive as federais, em meio a um aquecimento de custos.
Impactos na cadeia e restrições de oferta
Dionyzio Klavdianos, vice-presidente de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade da CBIC, aponta que o PVC é particularmente sensível a altas de preço e pode afetar a entrega de moradias populares. A resina, produtora com participação nacional dominante, enfrenta limits de oferta diante de tarifas de importação aplicadas para proteger a indústria brasileira.
A guerra no Oriente Médio agravou o cenário ao pressionar as rotas comerciais e elevar o preço do petróleo. Em 9 de março, o petróleo oscillou perto de US$ 119,50, após ter saído de patamar próximo a US$ 70. Em 27 de março, a cotação era de cerca de US$ 106 por barril.
Possíveis medidas e resposta do governo
Especialistas sugerem que a alta de custos pode exigir revisões de cronograma de entrega de moradias para reduzir impactos no programa. A CBIC afirma que a disponibilidade de fornecedores alternativos no Brasil permanece limitada, dificultando a substituição de insumos críticos.
O Poder360 acionou o Ministério das Cidades para saber se há estratégias para blindar o programa de moradias da alta de custos, mantendo a meta de entrega de residências populares. Não houve retorno até o fechamento desta edição. A reportagem seguirá atualizada conforme a resposta oficial.
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