- O empreendedorismo feminino já reúne mais de dez milhões de mulheres à frente de negócios no Brasil, atuando em setores como alimentação, beleza e cuidados.
- A Rede Mulher Empreendedora nasceu em 2010 e já impactou mais de nove milhões de mulheres empreendedoras.
- Cerca de setenta e sete por cento das empreendedoras abrem o próprio negócio após a maternidade, revelando desafios na flexibilização de espaços de trabalho para mães.
- A então líder Ana Fontes afirma que o empreendedorismo por necessidade é motor importante e defende políticas públicas e privadas para ampliar crédito, educação e acesso a mercados.
- O setor privado pode apoiar via compras inclusivas, aceleração de negócios liderados por mulheres e fundos como o FIR; o setor público pode ampliar políticas de compras inclusivas e linhas de inovação voltadas para mulheres.
Empreendedorismo feminino avança no Brasil, com mais de 10 milhões de mulheres à frente de negócios. O movimento ganha força em setores como alimentação, beleza e cuidados, segundo dados da Rede Mulher Empreendedora (RME). A pauta é impulsionada pela liderança e pela necessidade, dizem Ana Fontes e Kelly Baptista.
Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, aponta que o empreendedorismo por necessidade é o motor do segmento no país. Em 2010, a RME nasceu como iniciativa digital para conectar mulheres líderes a conteúdos úteis e redes de apoio. Hoje, a rede impacta mais de 9 milhões de mulheres.
A relevância do tema cresce conforme a sociedade reconhece a importância do fortalecimento de redes, educação e financiamento. Fontes destaca que mulheres investem mais em conhecimento, redes e tecnologias, o que aumenta a capacidade de escalar negócios.
Panorama e gargalos
Apesar dos avanços, ainda existem entraves como a diversidade de gênero e o acesso a capital. A ideia é unir políticas públicas e privadas para ampliar educação, infraestrutura e crédito, ampliando a participação feminina no ecossistema de negócios.
Fontes defendem ampliar programas de crédito público, incentivar acordos entre grandes empresas e pequenas lideradas por mulheres e reforçar a presença feminina no mercado financeiro. O objetivo é reconhecer o potencial econômico das mulheres.
O que precisa mudar no setor privado
O setor privado pode atuar comprando de negócios liderados por mulheres, viabilizando acesso a mercados. A RME conecta programas que qualificam empreendedoras para vender a grandes empresas e para acelerar negócios liderados por mulheres.
Além disso, entidades privadas devem apoiar projetos de aceleração, mentoria e investimentos. A iniciativa FIR, fundo filantrópico criado pela rede, destina capital a mulheres de regiões Norte e Nordeste. Essas ações visam ampliar autonomia econômica.
Ações públicas estratégicas
Políticas de compras inclusivas aparecem como ferramenta-chave para ampliar oportunidades. Linhas de desenvolvimento para inovação também são vistas como essenciais para transformar ideias em negócios escaláveis, com acesso a fundos perdidos e crédito específico.
A proposta inclui modelos como o programa Credita, voltado a negócios liderados por mulheres. É necessário levar políticas até a ponta, com o sistema financeiro reconhecendo o valor econômico das empreendedoras.
Representatividade em cargos de liderança
Dados indicam que, em média, 30% a 40% das posições de coordenação, supervisão e gerência são ocupadas por mulheres. Já em cargos de alta direção, a participação ainda é baixa, o que demanda políticas afirmativas e metas públicas de empresas.
A opinião é de que políticas afirmativas não criam vantagens indevidas, mas abrem oportunidades para quem é qualificada. Organizações internacionais, como o Pacto Global da ONU, promovem modelos com metas para ampliar esse impacto.
Liderança que inspira
Kelly Baptista controla a Fundação 1Bi, que conecta jovens ao acesso a tecnologias e ferramentas digitais. Ela também atua como mentora e conselheira, defendendo uma liderança empática que inspire outras mulheres.
A executiva enfatiza a importância de exemplos e redes de apoio para o avanço de mulheres em cargos de decisão. Segundo Baptista, é preciso ir além de ações pontuais e integrar políticas de fornecimento que valorizem negócios liderados por mulheres.
Conteúdo por Maria Clara Dias
Entre na conversa da comunidade