- Os embates entre EUA e Israel contra o Irã elevaram o preço do petróleo e pioraram as perspectivas para a economia global, pressionando mercados e levando países em desenvolvimento a racionar combustível e subsidiar energia.
- O estreito de Ormuz foi bloqueado pelo Irã, interrompendo passagem de uma parte relevante do petróleo mundial e aumentando a volatilidade de preços no curto prazo.
- O Irã atingiu o terminal de gás natural Ras Laffan, no Catar, responsável por cerca de 20% do gás natural liquefeito global; reparos podem durar até cinco anos.
- A produção de fertilizantes nitrogenados foi impactada: ureia subiu cerca de 50% e amônia around 20%, alimentando preocupações com preços de alimentos e oferta.
- Economias, incluindo a dos EUA, enfrentam pressões inflacionárias e de crescimento; a recuperação global tende a ser lenta, com impactos maiores para países pobres e dependentes de energia.
Os ataques entre EUA e Israel contra o Irã elevaram o preço do petróleo e pioraram as perspectivas da economia global. O conflito marítimo no Golfo Pérsico atinge refinarias, oleodutos e terminais, com impactos que já se estendem por meses.
Segundo especialistas, a ofensiva interrompe parte importante da oferta mundial de energia. O Irã atingiu Ras Laffan, no Catar, núcleo de GNL que representa 20% da produção global. Reparos podem levar até cinco anos, segundo a QatarEnergy.
Desde 28 de fevereiro, quando o Irã fechou o estreito de Ormuz, o mundo viveu uma sequência de ataques a áreas estratégicamente sensíveis. Países exportadores do Golfo cortaram produção por indisponibilidade de vias de escoamento.
Dados e previsões
A Organização Internacional de Energia classificou a interrupção como a maior de oferta na história do petróleo. O Brent fechou a US$ 105,32 o barril, alta de 3,4%; o WTI encerrou a US$ 99,64, alta de 5,5%.
Economistas destacam riscos de inflação mais alta e crescimento mais fraco. Christopher Knittel, do MIT, alerta para danos duradouros caso infraestrutura crucial continue sendo destruída. Observadores mencionam cenário de estagflação.
A crise também impacta fertilizantes e energia para indústria. O Golfo Pérsico representa grande parte da ureia e amônia exportadas, com elevação de até 50% na ureia e 20% na amônia. O Brasil depende de importações para fertilizantes.
Mercados e efeitos globais
Fontes indicam que o bloqueio de Ormuz pressiona produtores de fertilizantes como Egito e Índia. O hélio, componente essencial para chips e exames médicos, também fica em risco, com o Catar respondendo por parte relevante da oferta.
Nos EUA, economia ainda resiste melhor por ser exportador de petróleo e ter LNG competitivo, mas gasoline prices subiram; o preço médio do galão se aproximou de US$ 4. A desaceleração inclui cortes de vagas e menor criação de empregos.
Impactos por região
Ásia mostra vulnerabilidade, com grande parte do petróleo e LNG passando pelo estreito. Países pobres tendem a sofrer mais com inflação de energia e alimento, devido a custos maiores de importação e restrições de oferta.
O Brasil, grande consumidor agrícola, fica exposto à elevação de fertilizantes importados. A dependência de gás natural para produção de insumos agrários torna o impacto econômico direto para o setor rural.
Perspectivas
As autoridades enfatizam que a recuperação será gradual. Reparos em GNL e em refinarias no Kuwait e no Golfo demandam tempo. Analistas destacam que, no pior cenário, não há ganho econômico com o conflito.
Economistas ainda observam que, mesmo com resiliência anterior, o conjunto de choques no petróleo e no gás pode atrasar a retomada global. As incertezas permanecem até que a escalada cesse.
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