- Rioprevidência tem investimentos de R$ 611,6 milhões na Planner, que adquiriu parte da Reag, alvo de investigação na operação Carbono Oculto e liquidada pelo Banco Central em janeiro de 2026.
- A Planner intermediou a aquisição da Ciabrasf, administradora de fundos ligada à Reag, após o desmonte da gestora motivado por ligações com o crime organizado; a operação envolveu a APS, liquidante nomeada pelo Banco Central.
- O Tribunal de Contas do Rio de Janeiro identificou, em novembro de 2025, uma diferença de cerca de R$ 20 milhões entre o que o Rioprevidência pagou em títulos públicos e os preços de mercado, com a Planner atuando como intermediária.
- A Planner contestou o valor das letras financeiras apontadas no DAIR do Rioprevidência, dizendo que o montante se restringe a R$ 510 milhões e que eventuais valores adicionais podem envolver outros intermediários.
- A planner informou que, em fevereiro de 2026, firmou contrato com a APS para processar dados na normalização de fundos migratórios, e que Mauricio Quadrado não atua mais na Planner desde 2020, mantendo distância de decisões operacionais.
O Rioprevidência investiu cerca de R$ 611,6 milhões na Planner, empresa que comprou parte da Reag, alvo de investigação na operação Carbono Oculto. A transação envolve letras financeiras emitidas pela Planner e ocorrida antes da liquidação do Banco Master, em novembro de 2025. A Planner também teve participação anterior de Maurício Quadrado, ligado ao Master.
A Planner aparece no Demonstrativo das Aplicações e Investimentos dos Recursos (Dair) do Rioprevidência, referente a outubro de 2025. O documento aponta investimentos da instituição na corretora, cuja relação com o Master suscita questionamentos sobre usos de recursos públicos.
Contexto societário e vínculos
Maurício Quadrado foi sócio da Planner até 2020 e é dono da Banvox Holding, ligada ao Master. Em 2020 ele passou a integrar a Trustee DTVM, que herdou a área de custódia da Planner; até 2026, a participação em ações preferenciais permaneceu, sendo comprada pela B100 em fevereiro de 2026.
A Trustee DTVM é investigada na Carbono Oculto. O patrimônio atual é, em grande parte, atribuído ao fundo Estocolmo, controlado por Nelson Tanure, o que complica a cadeia de ownership associada aos papéis detidos pela Planner.
Aquisição da Ciabrasf e desmonte da Reag
Em novembro, a B100 encerrou a compra da Ciabrasf, administradora de fundos ligada à Reag, que passou por desmonte após revelação de ligações com o crime organizado. A Planner firmou acordo com a APS, liquidante nomeada pelo Banco Central, para retomar gestão de fundos congelados desde a liquidação da Reag.
O objetivo declarado é normalizar operações relacionadas a fundos que permaneceram congelados, com a conclusão de contratos de processamento de dados e de governança sob supervisão das autoridades competentes.
Controvérsias e respostas oficiais
O TCE-RJ identificou em novembro de 2025 uma diferença de aproximadamente R$ 20 milhões entre o valor pago pelo Rioprevidência e os preços de mercado de títulos públicos federais intermediados pela Planner. O órgão apontou ausência de critérios claros e estudos de mercado.
O Rioprevidência afirmou que seus investimentos são atos públicos sujeitos a transparência e controle, e confirmou que a Planner é instituição credenciada, com processo de credenciamento anterior a 2023. A assessoria de Maurício Quadrado negou relação societária com a Reag e a Planner.
A Planner contestou o valor das letras financeiras descritas no DAIR, dizendo que o montante de R$ 510 milhões corresponde à atuação de intermediação, e que valores adicionais podem refletir operações de outros intermediários. A empresa esclareceu que não define preços e que atua apenas como mediadora.
Observações finais
A Planner informou que a aquisição da Ciabrasf envolveu apenas a empresa listada na B3, sem transferência automática de gestão de recursos. Em fevereiro de 2026, após a liquidação da Reag DTVM, a Planner contratou a APS para processamento de dados, sem remuneração, para viabilizar a migração dos fundos, sob supervisão regulatória. Maurício Quadrado destacou deixar de participar de decisões operacionais na Planner desde 2020.
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