- O aumento do preço de chocolate, chamado de “Easter Eggflation”, é ligado ao clima extremo causado pela atividade humana, que derrubou a produção de cacau.
- Na Grã-Bretanha, o preço médio de ovos de Páscoa subiu cerca de dois terços em três anos, com Galaxy aumentada 105% por 100 g desde 2023.
- Cadbury Creme Eggs ficaram 81% mais caros e um Lindt Gold Bunny de 200 g custa hoje cerca de £ 8,42.
- Em 2025, os preços do chocolate subiram 18% na União Europeia, o que foi o maior aumento entre os alimentos.
- A maior parte do cacau (cerca de sessenta por cento) vem da África Ocidental, onde extremos climáticos recentes reduziram a produção em até quarenta por cento nos últimos três anos; problemas como doenças, secas e El Niño contribuíram.
O preço do chocolate no Reino Unido subiu acentuadamente nos últimos três anos, em meio a mudanças climáticas e cortes orçamentários. Pesquisadores atribuem esse fenômeno, batizado de “Easter Eggflation”, ao encarecimento do cacau.
Análises da Energy and Climate Intelligence Unit (ECIU) mostram que o valor médio de ovos de Páscoa de grandes marcas aumentou em média 66% entre 2023 e 2026. Alguns itens chegaram a mais que dobrar de preço.
Entre os itens mais impactados estão os ovos Galaxy, que subiram 105% por 100 g desde 2023. Creme Eggs da Cadbury registraram alta de 81% e Lindt Gold Bunny, 77%, chegando a £8,42.
Em 2025, os preços do chocolate subiram 18% na União Europeia, a maior alta entre itens alimentares, enquanto a inflação ao consumidor ficou em média 2,5% no bloco. Repercussões amplas atingiram a cadeia de suprimentos.
Causas climáticas e impactos na produção
Especialistas apontam que o aumento do custo do cacau, majoritariamente produzido na África Ocidental, é impulsionado pela intensificação de eventos climáticos extremos. A produção caiu até 40% nos últimos três anos.
Em 2023, chuvas intensas na África Ocidental favoreceram a podridão da vagem de cacau. Em 2024, seca associada ao El Niño e ondas de calor prejudicaram plantio e colheita, ampliando a pressão sobre o setor.
Analistas destacam ainda que fatores adicionais, como garimpo ilegal de ouro e envelhecimento das árvores, colaboram para a elevação dos preços. Há quem alerte para possibilidade de escassez mundial até 2050.
Resposta internacional e financiamentos
Chris Jaccarini, analista da ECIU, afirma que o aumento de preços é um indicativo claro da realidade climática atual. Ele aponta que a inação climática eleva custos ao consumidor, incluindo o chocolate.
Na cúpula COP, países concordaram em ampliar o financiamento à adaptação às mudanças climáticas, mas houve avanços limitados e promessas mantidas em nível, sem metas adicionais expressivas. O UK destacou cortes em ajuda climática.
Outras nações europeias anunciaram reduções de orçamentos de assistência a países em desenvolvimento, com foco em defesa. A revistações indicam impactos diretos na segurança alimentar e na resiliência de cadeias produtivas.
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