- TotalEnergies teria tido lucro superior a $1bn ao comprar cargas de petróleo do Oriente Médio, em meio a interrupções provocadas pela guerra.
- A empresa teria dominado o mercado de crude do Oriente Médio em março, adquirindo cerca de 70 cargas de crude produzido nos Emirados Árabes Unidos e Oman para carregamento em maio.
- A oportunidade surgiu após a suspensão, pela Platts, de nomeações de grades de crude que passam pelo estreito de Hormuz, reduzindo a oferta e elevando a liquidez de forma desigual.
- O preço do Dubai crude subiu de cerca de $70 por barril antes do conflito para cerca de $170 por barril na semana passada, enquanto o Brent atingiu picos próximos de $ 120 e recuou para aproximadamente $ 113.
- A liderança da TotalEnergies reconheceu impactos da guerra e comentou que cortes de produção no Oriente Médio representam parte de sua produção global, com o Brent subindo e margens de refino se tornando mais voláteis.
TotalEnergies assegurou lucros acima de US$ 1 bilhão ao atuar no mercado de petróleo do Oriente Médio durante março, quando conflitos regionais provocaram distúrbios nos preços. A empresa francesa comprou cargas de crude produzidas nos Emirados Árabes Unidos e Oman, disponíveis para carregamento em maio, aproveitando a abertura criada pela crise.
Segundo o Financial Times, a empresa moveu cerca de 70 cargões de petróleo, mais que o dobro das aquisições feitas em fevereiro, conforme fonte próxima ao conglomerado. A Total não emitiu declarações públicas sobre operações de trading, limitando-se a não comentar atividades comerciais.
A conjuntura decorreu da interrupção de envio pelo Estreito de Hormuz, causada pela tensão entre Irã e outros atores regionais. A suspensão de nomeações no benchmark Dubai crude pela S&P Global Platts ocorreu em 2 de março, reduzindo a variedade de grades disponíveis para precificação.
Com menos opções de entrega, o mercado ficou mais vulnerável a grandes players. A Platts informou que três das cinco grades usuais do benchmark ficaram de fora, restando apenas Murban de Abu Dhabi e crude de Oman para entrega, o que reduziu o volume entregável em cerca de 40%.
A atividade de negócios no mercado de Dubai aumentou, mas apenas a TotalEnergies teria conseguido contratos parciais suficientes para formar um carregamento completo, aponta o FT. O preço do Dubai crude disparou de cerca de US$ 70 por barril antes do conflito para níveis próximos de US$ 170 na semana passada.
O Brent, referência internacional, atingiu pico próximo a US$ 120 por barril em meados de março, recuando para aproximadamente US$ 113 no fim da semana anterior. A volatilidade refletiu a nova dinâmica de oferta e demanda gerada pela crise.
Patrick Pouyanné, CEO da TotalEnergies, reconheceu publicamente os impactos da disrupção, afirmando que as margens de refino nunca estiveram tão altas e que o mercado de produtos petróleo está descoordenado. Ele também alertou sobre possíveis impactos nos preços de gás na Europa se o conflito persistir.
Em comunicados oficiais, a Total detalhou que, entre 13 de março, houve fechamento ou paralisação de operações na região do Qatar, Iraque e Emirados, representando cerca de 15% da produção global. O grupo ressaltou, porém, que as barris do Oriente Médio respondem por cerca de 10% do fluxo upstream, compensados por um salto de US$ 8 por barril no Brent.
Mercados asiáticos, grandes compradores, enfrentaram forte pressão com o aumento do Dubai crude. Alguns refinadores pleitearam mudança da referência de preço da Arábia Saudita do Dubai para o ICE Brent, segundo a Argus. Em 20 de março, a Platts também suspendeu o ajuste de qualidade para Murban para ampliar a oferta negociável.
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