- O mercado de títulos do Tesouro dos EUA atingiu 31 trilhões de dólares e cresceu mais rápido que o capital bancário.
- Entre 2009 e hoje, o mercado de Treasuries cresce a quase nove por cento ao ano, enquanto o capital bancário avança cerca de 3,8 por cento ao ano desde 2019.
- Esse desequilíbrio pode exigir intervenções oficiais para manter o funcionamento estável durante períodos de volatilidade.
- Intervenções anteriores incluem compras em grande escala pelo Federal Reserve, que levaram as reservas de Treasuries a quase 5 trilhões de dólares em 2022.
- O relatório aponta um ciclo vicioso, no qual expectativas de intervenção podem estimular mais alavancagem e aumentar o risco de desmontes desordenados.
O mercado de títulos do Tesouro dos EUA, avaliado em US$ 31 trilhões, pode tornar-se estruturalmente instável devido ao seu crescimento acelerado. Segundo um relatório divulgado em 30 de março por estrategistas do Barclays, isso pode exigir intervenções oficiais para manter o funcionamento do sistema.
O estudo aponta que o mercado de Treasuries cresceu quase 9% ao ano desde 2009, bem acima do ritmo de expansão do capital bancário, que ficou em 3,8% ao ano desde 2019. A comparação usa dados trimestrais da FDIC. A diferença gera uma lacuna entre oferta e demanda por liquidez, afirmam os autores.
Esse desequilíbrio, segundo o relatório, aumenta a necessidade de ações oficiais para estabilizar o mercado durante períodos de volatilidade. O texto alerta para um ciclo autorreforçador: expectativas de intervenção podem elevar o uso de alavancagem e o risco de desmontes desordenados.
Meli deixou o Barclays para seguir carreira acadêmica no ano passado e continua como consultor da instituição. As intervenções oficiais no mercado de títulos do Tesouro se tornaram comuns desde a crise de 2008, especialmente via compras do Federal Reserve.
A maior intervenção ocorreu na pandemia de Covid-19, quando o Fed ampliou fortemente suas holdings de Treasuries, chegando a quase US$ 5 trilhões em 2022, ante cerca de US$ 2 trilhões no início de 2020. O crescimento acompanha o aumento dos déficits federais que demandam financiamento.
Contexto e implicações da liquidez
Entre os sinais de expansão do mercado, o relatório cita a queda da relação Treasuries com swaps de juros e a redução da participação dos dealers primários nos leilões desde a crise financeira. O documento também observa que a tolerância a episódios de instabilidade diminuiu na última década.
O estudo sustenta que o crescimento do Tesouro depende do financiamento do governo, mas que reformas regulatórias passaram a reduzir o retorno sobre o patrimônio dos bancos, contribuindo para o descompasso entre ativos e capital. A estabilidade do mercado é tratada como um possível passivo do Federal Reserve.
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