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Oncoclínicas remarca tratamentos e negocia com fornecedor por crise de caixa

Crise de liquidez força Oncoclínicas a remarcar tratamentos e negociar com fornecedores, com monitoramento de abastecimento e possível venda de ativos

Fachada da Oncoclínicas no Humaitá, Rio de Janeiro: maior rede de tratamento oncológico do Brasil enfrenta crise de liquidez, que afeta operações com remarcações de atendimento
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  • A Oncoclínicas tem atrasado o fornecimento de quimioterápicos e outros medicamentos oncológicos, levando a remarcações de tratamentos em várias unidades do grupo.
  • A empresa informou que está fazendo um processo de otimização financeira e operacional, com monitoramento e priorização assistencial para manter atendimentos que exigem mais cuidado clínico, buscando normalizar o abastecimento.
  • O caixa da companhia está pouco abaixo de R$ 100 milhões; a rede tem dívida bruta de R$ 4,8 bilhões e a Fitch rebaixou o rating para nível pré-calote, em meio a dificuldades de liquidez.
  • Uma possível saída envolve a venda de ativos para uma joint venture controlada por Porto e Fleury, avaliada em R$ 500 milhões, embora haja riscos de governança e descredenciamentos com planos de saúde.
  • A Oncoclínicas convocou assembleias de debenturistas para pedir renúncia prévia ao direito de decretar inadimplência, com cenários que vão desde waiver de covenants até reestruturação da dívida sem fusão ou aquisição.

Diante de dificuldades financeiras, a Oncoclínicas tem atrasado o fornecimento de quimioterápicos e outros medicamentos oncológicos em diversas unidades. Pessoas próximas à operação afirmam que parte dos itens foi remarcada ou suspensa, com fornecedores restringindo o abastecimento por receio de inadimplência. A empresa diz estar implementando um processo de otimização financeira, com impactos temporários no abastecimento.

Secretaria de informações aponta que tratamentos de quimioterapia, imunoterapia e imunobiológicos foram afetados em várias regiões. Pacientes tinham consultas ou sessões adiadas, sem previsão de retorno imediato, segundo fontes da rede. A empresa afirma que mantém diálogo com parceiros para normalizar o abastecimento.

A companhia comunicou à Bloomberg Línea que conduzia o processo de reorganização financeira, com monitoramento de estoques e priorização assistencial para casos de maior gravidade. A Oncoclínicas não detalhou quantos pacientes seriam impactados.

Fornecedores e relação de crédito

Um dos principais fornecedores é a Oncoprod, distribuidora do Grupo SC. Segundo uma fonte, não houve suspensão formal, mas o crédito rotativo da relação está tensionado. A empresa teria atingido o limite de exposição com a Oncoclínicas e liberaria novas remessas conforme pagamentos.

A Oncoprod não respondeu ao pedido de comentário. A companhia informou à CVM que a reestruturação ocorre sem impacto na qualidade assistencial, conforme documento de assembleia com credores. A Oncoclínicas tem 144 unidades em 47 cidades, segundo o balanço do terceiro trimestre de 2025.

Contexto financeiro e negociações

A Oncoclínicas adiou a divulgação do balanço para 9 de abril. A posição de caixa é estimada em pouco menos de R$ 100 milhões. A dívida bruta está em R$ 4,8 bilhões, conforme avaliação da Fitch, que reduziu o rating devido à liquidez.

Analistas acompanham a possível venda de ativos para uma joint venture controlada por Porto e Fleury, avaliada em R$ 500 milhões. Existem riscos, como descredenciamento de planos de saúde e governança entre as partes.

Cenários e próximos passos

A empresa convocou debenturistas para pedir waiver caso o índice de alavancagem ultrapasse o limite contratual. Caso aprovado, a dívida não entraria como inadimplência no balanço. Se não houver quórum, poderá haver nota explicativa ou standstill.

O MAK Capital e a Latache pressionam pela governança e por alternativas de-injeção de recursos. A estrutura acionária inclui o Josephina III, Centaurus e outros, com participação pulverizada entre acionistas não identificados. A fatia do BRB está sob liminar que impede movimentação.

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